Notícias

Auto-amor Para Seres Humanos

ESCRITO POR GUSTAVO CURY




AUTOAMOR 

No presente momento, estou  no aeroporto do Galeão, no Rio, voltando de uma oportunidade maravilhosa de trabalho com a Oficina de Sentimentos em Genebra e palestras na Suíça. Foi a primeira vez que estive na Europa. A semana foi extasiante.

Mas por incrível que pareça estou p... da vida, acredita? Minha bagagem ficou na escala em Paris. Pelo menos não foi extraviada, o que me deixou um pouco menos p... Como temos suaves 13 horas de espera pensei: “Por que não aproveitar esse tempo e escrever o texto pro blog que estou enrolando pra fazer há tanto tempo?”

Perdi as contas de quantas vezes me culpei por reagir agressivamente em determinada situação, ou me puni intimamente por estar revoltado, triste, com medo, ou me sentindo incapaz ou insuficiente por algo. Uma voz me falava à mente:

  1. "Tudo tem um por que.”;
  2. ''Deve ser a lei de causa e efeito.";
  3. Ou a pior de todas “Como pode você, palestrante espírita, reagir dessa forma?”.


Demorei alguns anos para entender que tudo isso, proferido superficialmente, não passa de arrogância e muitas vezes covardia. Sou apenas um ser humano. Só isso e isso tudo.


PROPOSTA DE AUTOAMOR

Segundo Mark Manson, autor de um best-seller de autoajuda (sempre critiquei sem ler livros de autoajuda por serem clichê, até perceber o quão clichê é criticar livros de autoajuda sem ler simplesmente por serem de autoajuda), "O desejo de ter mais experiências positivas é, em si, uma experiência negativa. E, paradoxalmente, a aceitação da experiência negativa é, em si, uma experiência positiva". Concordo bastante com a afirmativa do autor. Aplica-se de forma certeira à proposta do autoamor.

Ao longo dos anos, em atendimentos e outras experiências, percebi o quanto as pessoas se esforçam para "darem certo na vida". Na proposta do autoconhecimento, tal movimento comumente reflete-se como um comportamento obsessivo por estar bem, ter pensamentos felizes, cumprir à risca a orientações (ou ordens) de gurus, espíritos, santos, terapeutas, etc..

O mais interessante é que nunca vi isso funcionar de verdade. Sem a pretensão de fechar a questão (ter certeza de alguma coisa não é uma ideia que me atrai), observo alguns efeitos dessa postura:

  1. A alegria apenas se perpetua como que num palco de teatro;
  2. Se está tudo dentro das exigências do obsessivo por felicidade, tudo parece bem, contudo, à primeira contrariedade, o individuo demonstra de forma clara sua alienação com a máscara de evolução espiritual;
  3. A falta de resiliência e educação emocional para lidar com situações comuns se faz presente.


Não falta uma explicação mística e mirabolante para explicar questões como essa que estou vivendo. A bagagem ficou por lá porque as pessoas erram. E estou p... da vida com isso porque costumo ficar p... da vida quando as coisas não saem como o esperado . E é só.

Se pudesse indicar as mais importantes bases do autoamor, diria que são a honestidade íntima incondicional e a aceitação da realidade, íntima ou exterior, sem julgamentos. Enquanto há alguma exigência extravagante de transformação que se vincule ao autoamor, muito provavelmente você apenas se comportará como um cãozinho que corre atrás do próprio rabo, iludindo-se sobre a gravidade desse movimento e esperando que a vida te traga de bandeja algum beneficio pelo simples fato de estar sofrendo. Me perdoe por decepcioná-lo(a), mas o sofrimento é comum e é inerente à vida.

AME-SE INCONDICIONALMENTE

Inserir Imagem

A notícia boa é que autoamor é muito mais simples e fácil que você imagina. Ame-se como Deus te ama, ou seja, incondicionalmente. Isso quer dizer se amar até mesmo quando você pensa que não merece. Permita-se fazer as pazes com você mesmo, desse jeitinho que você é. E isso é uma postura, não consequência de evolução. Decida isso! O efeito é maravilhoso!

Continuo um pouco p... da vida. Mas bem menos que no começo da escrita desse texto.  Acho que até ficou bom, estou feliz com isso. É isso que acontece quando se aceita a vida. As coisas passam quando me amo como Deus me ama. Imperfeito, insuficiente, ambíguo e, por que não, p... da vida? E viva a vida!

Gustavo Cury