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CONECTAR-SE

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Quando ouvimos ou lemos a palavra conectar-se em algum lugar, pensamos imediatamente na conexão com a rede de informações da Internet. Considero que esta é bem viável, mesmo para aqueles com mais idade. Mas hoje não vamos falar dessa conexão

A CONEXÃO ESSENCIAL

Vamos falar da mais duradoura e produtiva: a conexão com nossas forças e fraquezas. Essa é a mais desafiadora, pois não desenvolvemos a habilidade de tomar conhecimento mais profundo dos nossos sentimentos e não sabemos, ainda, lidar com a avalanche de emoções e atitudes que surgem deles automaticamente.

Segundo Emmanuel, no livro “Pensamento e vida”, psicografia de Chico Xavier, lemos:

“O reflexo esboça a emotividade.

A emotividade plasma a ideia.

A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações.”

Nessa dinâmica, para nos conectarmos às raizes de nossas ações temos que percorrer o caminho de analisar nossa emotividade e as ideais e atitudes que ela determina.

REALIDADE X IDEALIZAÇÃO

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Vou compartilhar com vocês uma experiencia que vivi na semana passada. Participei de um curso intensivo de empreendedorismo. Para conseguir a inscrição para este curso, passei por uma avaliação com uma psicóloga que precisava checar se tinha os pré-requisitos para participar. No final da entrevista ela me disse: “Você já tem um perfil adequado, mas o curso não vai te oferecer ferramentas para gestão e nem planejamento da empresa onde trabalha. Ele vai trabalhar só o comportamento. Você quer participar assim mesmo?”.

Confesso que fiquei sem saber se deveria participar ou não, mas achei melhor verificar, na prática, e me inscrevi para o curso que seria manhã, tarde e noite de segunda a sábado. Sabia que seria uma carga horária pesada, mas cancelei todos os compromissos e fui fazer o curso

VERDADEIRO OU FALSO

O primeiro fato mais interessante foi um teste de Análise de Perfil Comportamental, no qual eu mesma me avaliei, com muita sinceridade. Montei um perfil bem satisfatório, na minha opinião.

A grade surpresa foi que, após ter a minha autoavaliação em mãos, recebi a avaliação realizada pela psicóloga que me entrevistou, e avaliou, na entrevista. O perfil montado por ela ficou bem abaixo e, diga-se de passagem, mais assertivo do que eu pensava que tinha.

Ela destacou alguns pontos fracos que eu nem sequer tinha percebido em mim mesma. Conclusão: mesmo buscando, por muito tempo, a sinceridade, a autotransformação, mesmo fazendo 32 anos de terapia para desenvolver o autoconhecimento, me deparei com uma verdade inquestionável: a de penso que sou uma pessoa melhor do que realmente sou na pratica e que tendo muitas conquistas a fazer.

E isso só no campo profissional. Fico imaginado então no campo pessoal, pois penso que sou a ideação da pessoa que ocupa a minha mente, mas na prática meu comportamento diz que não é assim. E ao falar de comportamento, fico imaginando quantas opiniões sobre mim estão guardadas no interior das pessoas que convivem comigo e não tem coragem de me dar um retorno por receio da minha reação.

EXPOSIÇÃO É O CAMINHO

Por falar em retorno das pessoas, um dos aspectos trabalhados no curso foi o de que o perfil empreendedor deve se expor mais para tirar das pessoas que frequentam o mesmo ambiente em que trafegamos um retorno que vai mensurar nossa margem de erro e acerto.

Quando analisei este aspecto, verifiquei que não me exponho com franqueza em busca de retornos negativos-positivos e positivos para me ajudarem a progredir. Quando falo negativo-positivo, falo de retorno que é dado por alguém sinceramente comprometido em nos ajudar, que age com a intenção de corrigir um comportamento que não está dando certo e propõe um que pode dar mais certo.

Retornos puramente negativos são retorno que não visam nos ajudar e sim a depreciar nossos esforços. Para fazer uso dessa ferramenta de se expor mais, temos que desenvolver duas caraterísticas que poucos tem: a humildade e a sabedoria. Humildade para aceitar nossos próprios erros e aprender com eles e sabedoria para discernir quem quer te ajudar e no que somos capazes de melhorar.

METAS ALCANÇÁVEIS

Outra atividade do curso foi o estabelecimento de metas de curto, médio e longo prazo. Para que as metas sejam alcançáveis ao longo do tempo, precisamos ter contato com nossa capacidade de realização e não com o nosso desejo de realização. O primeiro nos coloca dentro da realidade e o segundo dentro da ilusão e da falha. Quantas vezes estabelecemos mudanças de comportamento para “Ontem” quando vamos levar anos, décadas ou uma vida inteira de esforços persistentes para efetivamente ter a mudança estabelecida em nosso comportamento?

Para isso, faz-se a necessário a conexão com nossa realidade pessoal tanto a nível psíquico (pensamentos) quanto a nível emocional, uma vez que será essa conexão que irá estabelecer se nossas metas são viáveis ou se são ilusão. Se “sou quem acho que sou” ou se “sou um eu ideal que criei para mim mesmo” como programas de proteção para evitar tomar contato com nossa sombra, que aqui não tem conotação negativa e sim diz respeito a tudo aquilo que carrego como patrimônio pessoal e que não desejo assumir.

CONHECIMENTOS X SENTIMENTOS

Até hoje, ao longo de nossas vidas tivemos acesso a muitos conhecimentos que nos ajudam a ser mais assertivos na tomada de decisões, usando nosso raciocínio. Mas será que o mesmo ocorre com relação aos nossos sentimentos?

Temos tomado contato amigável com aqueles sentimentos que consideramos negativos, tais como a inveja, a raiva, o medo, a culpa e tantos outros? Estes sentimentos que consideramos indesejáveis são indicadores de mudanças positivas de comportamentos que precisam ser realizadas.

Vamos analisar um exemplo. Em determinado ponto de nossa vida erramos enormemente. Seja um erro cometido com relação ao outro, à nós mesmos, ou campo familiar, social ou profissional. Despois de identificado o erro, entramos automaticamente na autocobrança e na culpa. Abrigada a culpa por aquele erro, ela nos leva automaticamente a viver com um medo constante de que aquele erro se repita e venhamos a sofrer tudo de novo.

RECONSTRUINDO COMPORTAMENTOS

Num processo de conexão com nosso mundo íntimo, e provavelmente com ajuda terapêutica, vamos ter condições de checar, passo a passo, nossos pensamentos (crenças), nossos sentimentos e verificar as atitudes tomadas naqueles momentos.

Mesmo num sistema severo de autocobrança, vamos trabalhar para transformar a culpa em arrependimento operante e eficaz, tirando da situação novas referências para não repetirmos o erro. Ao buscar essa abordagem, estaremos diminuindo o medo que nos paralisa e mantem nosso estado de angustia, transformando o erro em lição aprendida e retificadora de conduta para o futuro.

Esse mesmo raciocínio vale para situações nas quais tivemos êxito e carregamos o medo de que elas não aconteçam novamente.

CONEXÃO ETERNA

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Ter a coragem de se aceitar nosso exato tamanho é o primeiro passo para conhecer nossa realidade pessoal, descobrir nosso real “eu” para, a partir daí, caminharmos com mais consciência de nós mesmos reconhecendo nossos limites e capacidades.

Por isso, a conexão com nosso patrimônio pessoal, construído ao longo de nossa vidas anteriores preciosa ser analisado, uma vez que nos encontramos em um período da Terra – o da Regeneração – no qual o sentimento bem, direcionado  serão a bússola para abrir caminhos mais assertivos e construtivos para nos ligarmos cada vez mais a Deus – nossa fonte de vida.

Maria José da Costa

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