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CULPA E AUTOAMOR

Gustavo Cury

No livro SETE CAMINHOS PARA O AUTO AMOR, de Pai João de Angola, psicografia do médium Wanderley de Oliveira,  temos importante esclarecimento:“Entre os moradores do prédio da vida emocional existe um que parece ser o principal agressor do prazer e do desejo, e ele se chama culpa. É o que mais dá trabalho, o que mais exige, mais consome energia e é também o mais persistente quando o assunto é jogá-lo para baixo.”

O QUE É A CULPA:

A culpa é uma das mais (senão a mais) complexa das emoções que compõem o vasto campo dos sentimentos humanos. Exatamente pelo estado da culpa ser tão denso e complicado é que ele se apresenta como grandioso potencial para transformação humana, seja para nos levar ao fundo do poço ou como excelente alavanca do progresso pessoal.

DUAS FUNÇÕES FUNDAMENTAIS:

  1. Mostrar a nossa realidade em relação a alguma situação da vida, o que muitas vezes encontra-se em contraposição ao que eu pensava que era diante da realidade: O que sou de fato X O que penso que sou)

  2. A partir da constatação do que sou de verdade, propor alguma regulação sobre a vida, seja nas tomadas de decisão, mudança de posturas, comportamentos, etc..

Como emoção, a culpa ocorre quando o indivíduo  minimamente saudável, psicologicamente, transgride alguma regra interior. Se faço algo que vai contra meus valores, sinto culpa.

DOIS CAMINHOS DE CRESCIMENTO:

  1. Fazer valer o valor íntimo transgredido.

  2. Ressignificar, flexibilizar ou até mesmo excluir a regra interna, caso ela não seja mais adequada à vida.

Perceber qual dos caminhos seguir a partir da ocorrência da culpa exige um exame atento de si mesmo e sabedoria. Por mais que se deseje algo, ir de encontro aos princípios da alma sempre terá por consequência o sofrimento, que tem por função saturar o ser e colocá-lo em movimento.

Somente um atenção honesta a si mesmo, sem julgamentos e preconceitos, poderá indicar se o que você deve fazer a partir da culpa é cumprir sua lei intima ou modificá-la. E você é absolutamente livre, inclusive para errar e sofrer, se assim o decidir.

 Como diria o apóstolo Paulo, “Tudo me é lícito mas nem tudo me convém¹. 

Você pode sempre fazer tudo o que quiser, só precisa estar disposto a pagar a conta das escolhas que faz.

Na perspetiva do auto amor, a culpa tem importância fundamental, exatamente por indicar possíveis incoerências que geram sofrimento. Levando-se em conta seu atributo funcional de rever conceitos ou cumpri-los, o estado da culpa, ou de consciência pesada é o que movimenta o ser na direção da mudança de forma eficaz.

O QUE FAZER COM A CULPA?

Ao invés de brigar com a culpa, busque:

  • Acolhê-la.

  • Lidar com ela.

  • Aprender o que a culpa tem a ensinar.

  •  Aplicar o aprendizado assumindo diferentes posturas na vida

Quando não vivida, porém, a culpa se apresentará como elemento destrutivo da serenidade interior por tempo indefinido. Sustentar o estado de culpa com auto martírio, por exemplo, só faz com que ele permaneça de forma improdutiva no sistema psíquico.

Toda emoção que permanece sem ser elaborada, adoece o ser. E para que ela se vá ela precisa cumprir suas funções de mostrar a realidade e regular a vida. Para isso, deve ser sentida e assimilada.                                            

Nem fuga, nem justificativa, nem martírio.

Diante da culpa, procure colocar-se em autoexame honesto e aplique as mudanças que sua alma te propõe, no silêncio dos pensamentos.

Amar-se, de verdade, é antes de mais nada ter coerência em sua própria autenticidade.

 “Tens tu a fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova."

Gustavo Cury

¹ I Corintios 6:12.

² [1] Romanos 14:22.