Notícias

Quando eu me encontrar

encontrar

"Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Se alguém por mim perguntar

Diga que eu só vou voltar

Depois que me encontrar"

- Mestre Cartola


Entre tantas maneiras de se cumprimentar, a que considero mais generosa é a do mundo árabe, eles tocam o coração, a boca e a cabeça e pronunciam Salam Aleikum cujo significado é “A paz de Deus esteja com você”.  Me foi explicado que a saudação é uma disponibilização do que se sente, diz e pensa. Muito generoso, verdadeiro e poderoso para aqueles que realmente conseguem alinhar em coerência e harmonia o que sentem e o que dizem com o que pensam. Esse me parece o caminho para se encontrar.

A caminhada de cada um de nós ficará mais leve se tivermos a certeza que não estamos sós. Hoje sinto muita falta da generosidade da disponibilidade, pois vejo pessoas cada vez mais preocupadas com seu entorno, afazeres e obrigações. E quando se preocupam com outra pessoa o fazem sobre expectativas, e olha que falo de pessoas com vínculos tipo os pais com seus filhos, os filhos com seus pais, entre irmãos, sócios, amigos e cônjuges, e qualquer tipo de relacionamento. Se importar com o bem do outro, sendo o bem aquilo que o outro considera para si o bem desejado, é muito difícil.  Isso porque é difícil aceitar que cada um de nós vive um momento de aprendizagem específico que só faz sentido porque é o que foi combinado antes deste espírito “descer”.

encontrar

Carma e reencarnação andam de mãos dadas, falar sobre um é falar sobre o outro, mas vou tentar me ater ao carma e ao risco da interferência no carma alheio. Das boas surpresas que tive ao ler Guardiãs do Amor, o capítulo 4 me rendeu uma percepção sobre como ando fazendo bobagens em minha vida. Não que eu tenha feito algum trabalho espiritual para ter vantagens ou ganho que não me pertencem, mas confesso que entre preocupação, generosidade e interferência no carma alheio tem uma linha tênue que só agora percebo, por vezes, não respeitar. Não é o caso de spoiler, mas esse capítulo trata do assunto quando do uso de magia para interferir na vida e destino de outro em benefício próprio. No meu caso, me reconheci interferindo na vidas de pessoas próximas e queridas usando de meu poder e influência para apontar o destino que considero mais adequado para estas pessoas sem respeitar o caminho de cada uma delas. De certa forma incorri no mesmo erro que Vilma e por certo terei as mesmas consequências. A interferência no carma de outra pessoa, mesmo sob a desculpa do amor, atrai para nosso o processo desta outra pessoa.

encontrar

Percebi que a harmonia de qualquer relacionamento está na capacidade de identificar e de respeitar a estrada de cada um. Fazendo isso, nossa estrada fica livre para nossos ensinamentos e não congestionada. É sabido que vivemos um momento de valorização da posse, do ter. Amor não é posse. O verdadeiro exercício do amor é deixar ir, deixar andar.

O fato é que esta vida (período cronológico entre nascer e morrer) é uma só e é nela que devemos nos concentrar para evoluirmos em nossas fraquezas e dificuldades.  A prova que podemos superar é a própria aprovação.

Fiquem com Deus e até a próxima!

Paulo Canarim

Últimos posts por Paulo Canarim (exibir todos)