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O QUE FOI DADO POR DEUS

Deus


“Todas as coisas me foram entregues por meu Pai,

e ninguém conhece o Filho, senão o Pai;

e ninguém conhece o Pai, senão o Filho,

e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.[1]


Deus

Tudo é dado por Deus

Jesus foi bem assertivo quando nos disse que não veio destruir, mas cumprir a Lei. E desta forma o Mestre nos mostra o caminho interior, possível para cada um de nós trilharmos rumo ao autoconhecimento e autoaprimoramento, buscando tornarmo-nos melhores a cada dia. A Lei Maior está escrita dentro de nós. É o presente dado por Deus. É como a chama ou a chave da vida, é a nossa consciência revelada em princípios e diretivas que nos norteiam o arbítrio no mar das dúvidas e das incertezas, se talhadas na busca do bem, do belo e do bom em nós, no próximo e nas experiências com as quais nos deparamos.

Temos de buscar um olhar interior, procurar, encontrar e seguir os indicativos dessa Lei que se faz cumprir no dia a dia de nossos deveres juntos àqueles que a ação do Amor Maior colocou ao nosso lado como irmãos, companheiros, amigos ou adversários.

Sim, é preciso para servir e se submeter à força dessa Lei Maior que nos assiste. E a Lei maior a cumprir é a Lei do Amor. A única capaz de operar transformações profundas no coração do homem que agindo assim se cristianiza, se torna cristão, pois o amor tudo perdoa, em si mesmo e no outro, e tudo faz e tudo constrói em nome da paz e da verdade.

Esta verdade pode ser mostrada no exercício da caridade, mas daquela que faz o bem sem olhar a quem, e o faz invisível aos olhos comuns, pois caridade é saber ouvir, aconselhar, silenciar-se e a mão estender para acolher, não simplesmente matar a fome, a sede, agasalhar, dar um teto a quem carece destes bens.

Antes disso temos de dar um passo, ou mergulho, e a letra de uma música de Vander Lee serve para refletirmos um pouco sobre isso. Ela diz o seguinte:

“Sabe o que eu mais quero agora, meu amor? Morar no interior do meu interior. Pra entender porque se agridem, se empurram pro abismo, se debatem, se combatem sem saber”.[2]

Esse olhar interior é o que nos faz forte, porém humilde, capaz de nos fazer reconhecer nossos limites e onde podemos agir coerente e consistentemente em nós mesmos para operarmos mudanças, de forma que nos realinhemos com essa imanência Divina em nós, como presente e herança.

A fonte de todos os nossos desacertos está em nosso interior, bem como todos os nossos empurrões, combates, agressões, aflições e quedas em abismos. E é lá também que encontramos a fonte de todos os nossos acertos, virtudes, paz, alegrias e realizações.

Cada um escolhe seu caminho, somos os maiores inimigos de nós mesmos, o nosso sucesso e a nossa felicidade dependem apenas de nossas escolhas.

A distância mais longa que existe no universo é aquela entre o cérebro e o coração. No exato meio entre esse caminho se encontra a nossa boca, para que assim possamos refletir bem no que vamos dizer e agir, de forma que não comprometamos a nossa felicidade e a do outro.


E como fazer esse olhar interior?

Deus


Questionarmo-nos, de modo objetivo, direto e sem medo deve ser o foco de nossas reflexões noturnas. Assim nos ensina o Espírito de Santo Agostinho³ para procurar despertar a nossa consciência de uma forma mais operante e ativa. Sobretudo, procurando entender o que mobiliza, o que nos move intimamente nas escolhas que fazemos, e de que modo nossas ações seriam qualificadas por nós, se praticada por outra pessoa. Se as censuramos nos outros ela não pode ser legítima, pois não há dois pesos e duas medidas na aplicação da Lei de Deus.

 Um passo importante para nosso crescimento é fazermo-nos algumas perguntas e vão aí algumas sugestões[4]:

  1. Como decorreu o meu dia?

  2. Quais atitudes foram por mim tomadas?

  3. O que despertou em mim determinadas reações que tive durante certos eventos?

  4. Por que tais emoções e sentimentos surgiram em função de certas vivências?

  5. O que está por trás das escolhas que eu fiz nesse dia?

As duas últimas são muito importantes, e devem ser enfrentadas corajosamente, pois só encontramos a luz e iluminamos as nossas sombras internas com o poder da verdade.

Assim, estamos investindo em nós mesmos sublimando, ou seja, tornando sublime aquele nosso lado que permanece escondido, pouco iluminado e envergonhado de suas próprias mazelas.

Para seguir em frente é necessário perdoar a si mesmo, sabendo-se ainda incapaz de acertar sempre, mas tentando perseverar no acerto e demonstrar um empenho em se tornar melhor a cada dia.

É imprescindível também procurar perdoar o nosso semelhante que nos feriu num momento de dor, de sofrimento, de raiva e de agressão. Esforçar-se na arte de renúncia ao apelo exclusivista de um amor ainda calcado nos padrões humanos, mesquinhos, de posse e egoísta.

A Lei do Amor nos leva ao reencontru com a Divindade presente em nossa essência, no cerne espiritual. Estabelece um eixo com a Vontade Divina que nos assiste. Ela usa de nossa força de vontade para nos disciplinar e crescermos moralmente.

E uma das maiores atitudes que cada um deve cumprir é dar de si mesmo, pois isso é o que tem de mais caro e valoroso aos olhos do Pai, dar e fazer o melhor de si. Aí está a expressão da Lei do Amor que se realiza em nossas vidas e que o Mestre exemplificou tão bem. Ele cumpriu a Lei do Amor e até hoje nos incita a cumpri-la. Não é mais tempo de nos fazermos de rogados.

O tempo agora é de agir no bem e reagir ao mal com o bem, transformando as perdas e as decepções em oportunidades e dar o melhor de si.

É viver esse presente de Deus, expressando a vontade do Pai Celestial em nossas vidas para que sejamos grandes, belos e bons. E nossa luz haverá de ligar-nos ao céu de paz que verte infinitamente da fonte de nosso Pai.

Essas são as coisas entregues a nós e reveladas pelo Filho de Deus.

Que o Mestre nos acolha e fortaleça nossos pensamentos e que eles se alinhem às atitudes coerentes com o amor que nos assiste e nos ensina a cumprir com o que temos de melhor em nós mesmos, para a graça do Pai e a glória do amor pois todo o Reino começa em nós e se realiza por nosso intermédio e para nós mesmos.

 E assim finalizamos com a referência evangélica do início, “e ninguém conhece o Pai, senão o Filho[5]. Para o filho conhecer o Pai ele deve procurá-lo dentro de si, em sua genética, na expressão dessas características e na formação que Dele recebeu e que o tornou um adulto pleno e útil à sociedade.  Da mesma forma o somos em Espírito e em Verdade, com o Deus, Pai e Criador que nos fez à sua imagem e semelhança, nossa Divina Herança que, quando encontrada dentro de si, deve ser dada àquele “... a quem o Filho o quiser revelar[6].


“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.[7]

Ricardo Grupionni

1 Mateus,11:27

2 Onde Deus possa me ouvir. Letra e música de Vander Lee

3 Livro dos Espíritos, questão 919-A

4 Conecte-se com você, de Rodrigo Ferretti, próximo lançamento da Editora Dufaux.

5 Mateus,11:27.

6 Ibidem.

7 João,15:12.