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Misericórdia e Perdão

Misericórdia

Olá amigos!

Hoje voltaremos ao assunto do perdão, tema que já tratei há 2 meses atrás. Estava assistindo a um telejornal no início da tarde e fui tomado por uma emoção muito grande. Era uma reportagem sobre a população de rua em Belo Horizonte, que anda crescendo muito rapidamente e já é maior do que o número de habitantes de pelo menos uma centena de cidades em Minas Gerais.

Entre vários dramas, havia o de um jovem morador de rua sendo entrevistado, recém-saído de uma casa de recuperação, na qual tinha sido internado pelos seus pais há um bom tempo. Homem novo, traços sofridos, olhos esperançosos, porém, marejados, com o semblante marcado pela decepção e pelo desengano. Estava há mais de 24 horas perdido nas ruas de nossa cidade, a roupa surrada e a barba por fazer revelava o estado da alma em apuros e em prantos.

Ao voltar para casa tinha sido rejeitado pelos pais, que disseram que ali não era mais o seu lugar, que fosse embora e que não voltasse mais. Detalhes e motivos que antecederam e foram a razão de todos os fatos são irrelevantes e não nos interessam, pois não nos pertencem.

Naquele momento foi impossível conter minhas lágrimas diante da situação de abandono e desilusão do pobre rapaz, que mostrava em suas mãos uma pequena caixa de presentes que tinha confeccionado, com tanto carinho, para sua filha de 9 anos que esperava ansiosamente rever e tinha sido impedido de reencontrá-la.

COMPAIXÃO x REVOLTA

Misericórdia

Peguei-me num momento de intensa compaixão e de emoção, mas também de revolta por aqueles pais, mesmo sem conhece-los. E ao mesmo tempo percebi que eu poderia ser um deles, qualquer um dos três.

Na verdade, qualquer um de nós poderia tomar as mesmas atitudes, pois somos criaturas falíveis na escola da vida e em posição de aprendizado, sujeitos a variadas provas, testemunhos e expiações. Eu estava julgando. Acolhi o rapaz, mas condenei seus pais.


JULGAR OU NÃO JULGAR?

Misericórdia

Cometi o erro de julgar sem conhecer, esquecendo-me da postura sempre sábia do Rabi da Galileia:

“E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios."¹

Este exemplo de Jesus para com a pecadora é o melhor modelo de atitude para todos nós que almejamos seguir Seus passos e fazer d’Ele realmente o Caminho de libertação, a Verdade que nos liberta e a Vida nova que almejamos para cada um de nós. É a atitude de perdoar, irrestritamente, mesmo a mais condenável das atitudes. Quem somos nós se não aprendizes, susceptíveis dos mesmos erros?


MISERICÓRDIA, PORTA DE ENTRADA PARA O PERDÃO

A palavra misericórdia é de origem latina, e é formada pela união de duas outras palavras do Latim, de miserere (ter compaixão), e cordis (coração).  Ou seja, ter compaixão de coração e a capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, de aproximar seus sentimentos do outro e de ser solidário com ele.

Precisamos mesmo aprender a ter compaixão de coração, sem artificialismos, sem falsas modéstias, sem melindres e sem expectativas de sermos reconhecidos pelas nossas atitudes e palavras, que muitas vezes são despidas de sentimento real, profundo e Evangélico.

No Livro, Quem perdoa liberta, de autoria espiritual de José Mário Sampaio, através do médium Wanderley de Oliveira, já em seu prefácio ele nos fala o seguinte:

“Conquanto oriente a sabedoria do Evangelho que devamos nos fixar na positividade dos conteúdos morais, não podemos ignorar os conceitos acerca da ação inteligente e calculada da maldade, caso desejemos instaurar um programa de vigilância mais ativo e consciente. Embora devamos sempre ressaltar a luz, muitas vezes torna-se imprescindível estudar o movimento das trevas para melhor orientar nossas escolhas sobre onde e como colocar o foco de nossos esforços no bem”.


MISERICÓRDIA, O PRIMEIRO PASSO

Muito interessantes, oportunas e proveitosas estas palavras, pelo menos para mim naquele momento, pois percebi como faltou misericórdia da minha parte para com aqueles pais, ao ponto de condená-los.

Impossível perdoar sem se colocar no lugar do outro, sem sentir compaixão pelo outro. Falhei em acolher apenas o rapaz, excluindo os pais, julgando-os. Também deveria tê-los acolhidos no coração.

Mais do que o rapaz que inegavelmente se viu numa situação de pobreza, abandono e merecer uma oportunidade e um recomeço, também eles, os pais, merecem nossa misericórdia e perdão. Não tenho e ninguém tem o direito de julgar ninguém, pois os dramas individuais pertencem apenas aos seus autores, assim como as consequências de seus atos, tal e qual determina a lei de retorno que confere a cada um conforme suas obras.


COMO LIDAR COM OS DRAMAS?

Cabe a cada um de nós, em tais circunstancias, desfazer e amenizar o mal, se possível, e sem julgar, sem condenar, atuando justamente e apenas no que estiver ao nosso alcance, além de renunciar às armadilhas da ação inteligente e calculada do mal que é obstáculo para a nossa vigilância mais ativa e consciente, pondo a perder nossos esforços de melhoria íntima.

A sutileza da maldade, muitas vezes, é difícil de ser percebida e abre nosso campo íntimo a influencias perversas e invisíveis do submundo astral, ou de nós mesmos. Mais acertadamente, nesse o caso, foi um preconceito de minha parte.

Devemos iluminar a vida alheia com respeito e educação, não com reprovação e condenação, mas buscando acender a luz divina primeiramente em nós e depois nos outros, com uma atitude serena e perseverante, plena de misericórdia, na benevolência e no perdão, estendendo a mão e a palavra com o que pudermos dar de bom e de melhor do que já alcançamos em nossas experiências e que resultaram em aprendizado no educandário do Cristo.


QUALIDADE DIVINA

A Misericórdia é a qualidade predominante de Deus para com o ser humano.² Sendo assim, como filhos de um único Pai misericordioso, todos nós, damos testemunho de nosso DNA divino quando agimos e vivemos no mundo físico, nas relações sociais, nas famílias, nas sociedades em geral, quando criamos vínculos e damos testemunhos de bondade, respeito e tolerância à vida e ao outro, quando consideramos e respeitamos o momento que cada um vive.

Todos nós, dadas as circunstancias de regeneração e da transformação que estamos sendo chamados a realizar em nome da mudança planetária em curso, podemos estar vivendo nos limites das nossas forças.

Mas tudo que está sendo exigido de nós não é nada além do que nossos ombros possam suportar.


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MÉRITO OU DEMÉRITO?

E isso não denota nenhum demérito, muito pelo contrário, nós todos estamos chegando ao ponto de nossa libertação individual, ou de nossa derrota, caso voltemos atrás e desistamos de dar estes últimos passos libertadores.

A vida hoje nos pede coragem e perseverança, para podermos encontrar onde esse Deus misericordioso vive e onde está o calvário de nosso Cristo interno, além de todos os recursos de que precisamos para sermos felizes: apenas dentro de nós. Este é o local! Assim, efetuamos a transformação do homem velho para o homem novo.

Dessa forma, podemos dar ao irmão, que caminha ao nosso lado, a mão estendida da compreensão, do suporte e do apoio, pois é isto que cada um de nós precisa hoje, um olhar amigo, acolhedor e sobretudo misericordioso. O perdão vem na sequência.

Quem está à frente ajuda quem está mais atrás, e juntos vamos!

Ricardo Gruppioni

¹ Marcos 16: 9.

² Êxodo; 34: 6 E se diante de Moisés, proclamação: "Senhor, Senhor compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e fidelidade, Salmos; 86:15 Mas tu, Senhor, é Deus compassivo e misericordioso, muito paciente, rico em amor e em fidelidade.