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Ansiedade, tentação e vícios

Ansiedade, tentação e vícios

Tentação é o impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável. Um dos principais elementos que nos levam a “cair em tentação” é o nosso estado íntimo de insatisfação e ansiedade.

Todo indivíduo insatisfeito, torna-se ansioso, e ansioso apresenta-se mais aberto aos vícios, aos desregramentos. Quando estamos ansiosos comemos mais, quem bebe, bebe mais, o usuário de droga se entorpece mais. Cuidar, portanto, da ansiedade, tratá-la, é uma diretriz imprescindível para quem deseja se libertar dos vícios.

A ansiedade é sempre um subproduto de nossa aceleração mental, de nossa inquietude interior. Quando carregamos uma mente turbilhonada pelo excesso de pensamentos – preocupações, dúvidas, inseguranças, excesso de compromissos, problemas relacionais, dificuldades financeiras, excesso de estímulos audiovisuais etc. – não conseguimos nos conectar com a vida, com o momento presente. Ficamos encarcerados na vida mental, que se movimenta quase sempre no passado e no futuro.

Pacificar a mente, portanto, é fundamental para alcançarmos um melhor nível de satisfação pessoal e com isso desenvolvermos maior resistência a todos os vícios. Afinal, se nos sentirmos bem com a vida natural para que iremos buscar os recursos artificiais dos vícios?

Muitos jovens iniciam na drogadição por não suportarem a vida mental que possuem.

Imaginemos um rapaz com quinze ou dezesseis anos que vive num lar tumultuado, em meio a brigas, falta de recurso financeiro, falta de atenção e carinho, desavenças de toda natureza. Um belo dia vai a uma festa, a um show, mas totalmente desequilibrado, insatisfeito, triste. Ao lá chegar não consegue relaxar, curtir a festa, saborear o momento. Sua mente está aturdida, seu nível de ansiedade muito elevado. Em casa só problemas, só contendas... Até que um “amigo” chega e propõe: “Relaxe! Beba um pouco... Fume com a gente. Temos um baseado... Alivie aí!”

A palavra é apropriada: aliviar! Os vícios aliviam, não curam, nem harmonizam. Apenas aliviam a mente. Retiram o indivíduo de sua ansiedade momentânea.

Após sorver a bebida ou fumar a cannabis, o indivíduo, relaxando, ou seja, saindo do excesso de pensamentos, pode conseguir uma conexão maior com a festa. Sentir a música, observar as meninas que passam, alegrar-se naquele instante. Mas aí está o perigo. É uma alegria ilusória. Inicia-se ali a construção de um verdadeiro cárcere, o cárcere do vício. A partir daquele dia, o jovem pode recorrer à droga para aliviar suas tensões, sem resolver em nada sua realidade existencial.

Quantos não começaram assim?! E hoje se encontram em condição mental e física deplorável. Não encontram mais prazer de viver nas coisas comuns do cotidiano. Vivem e circulam em torno dos próprios vícios. Estão reféns de si mesmos, da viciação que construíram para fugir da ansiedade.

Caíram em tentação, ou seja, fugiram da vida real.

Como psicanalista, observo jovens e adultos totalmente dominados pelos vícios. Não se cuidam mais. Não namoram mais. Não amam mais. Vivem e respiram a dependência. Estão submissos aos próprios desejos. Escravos da ilusão.

A questão é séria. Muito séria! Os pais devem acompanhar a vida de seus filhos. Apresentar-lhes, além do carinho e da atenção, diretrizes espirituais superiores. Para que, estando jovens, não se entreguem aos labirintos do desregramento. É plenamente possível ser jovem, jovial, alegre, feliz sem qualquer vício. A vida é bela, tem o seus desafios, mas o caminho do equilíbrio e do esforço para o bem é o único que nos pode conduzir à real felicidade, à plenitude interior e relacional.

Nós, os que estamos pais, deveríamos sempre esperar nossos filhos chegarem das festas noturnas para observar como eles estão. Além, é claro, de esclarecê-los continuamente, desde a infância, sobre os inúmeros malefícios dos vícios. A fórmula é simples, para muitos simplória, mas muita gente deixa de executá-la por falta de empenho e disciplina, deixando os próprios filhos nas mãos do mundo e das ilusões.

Quase sempre escolhemos a melhor escola, a melhor roupa, o melhor alimento para nossos amados filhos, mas somos relaxados na preciosa missão de lhes apresentar o Evangelho do Cristo e suas diretrizes libertadoras. O que nos restará depois?! Muitas vezes apenas chorar... e aguardar a próxima reencarnação para tentar de novo!

Rossano Sobrinho
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