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Corpo e Autoamor

Corpo Comida saudável

Cara, o que aconteceu com você? Como deixou as coisas chegarem a esse ponto?

- Ah, Cury (é como meus eternos amigos do Judô me chamam). É exagero seu!

- Sério mesmo, estou preocupado! Você deve estar pesando uns 130 kg.

- Hahaha!

- Você está achando graça? Isso é assunto sério!

- Ah cara, mas é que trabalho muito. Não dá tempo de me cuidar.

- Também trabalho muito.

- Mas você é casado!

- Não entendi a correspondência.

- Sua mulher te ajuda!

- Ai de mim se não fizer minhas coisas.

- Além do mais, trabalho até tarde e só posso comprar comida pronta em supermercado.

- O mesmo supermercado que vende pizza vende salada.

- Ah, mas...

E percebi que as desculpas seguiriam interminavelmente. Estava conversando com um amigo de longa data e por isso me dei o direito de interferir. Fomos atletas da mesma equipe quando mais jovens. Estava mesmo preocupado. Ainda não sei se fiz certo, mas foi assim que aconteceu. Quando ouvi as justificativas, pensei comigo: “Vou dar um saculejo nesse cara de uma vez.”

- Meu irmão, sabe qual a diferença entre nós nesse aspecto?

- O que?

- Eu posso comer uma pizza a hora que quiser!

- Eu também posso!

- Você come, mas não pode. Sério mesmo, pensa nisso com carinho. Obesidade é assunto sério.

Uma das coisas que sempre me arrepiou nos centros espíritas foi a negligência com que as pessoas tratam os exageros na alimentação. Fumar e beber é crime passível de condenação ao pior dos umbrais, mas comer muito está liberado? Incoerente.

Muitas pessoas que buscam se amar não sabem por onde começar. Costumo recomendar cuidados pessoais em todos os campos. Físico, psicológico, social e espiritual. Me preocupo quando alguém não se cuida fisicamente a ponto de ter comprometimentos para a saúde física e justifica com algum argumento pseudoautoamoroso do tipo: “Preciso me amar e me aceitar como sou.”

Será? Qual o limite disso? Até que ponto é uma desculpa para não cumprir o que sei que devo fazer. Obviamente, não me refiro aos excessos da busca desenfreada por uma estética socialmente validada, até mesmo porque os padrões estabelecidos socialmente em nosso momento histórico muitas vezes também só podem ser alcançados a partir de comprometimento da saúde, como por exemplo, a partir do uso laico e descontrolado de esteroides anabólicos, estimulantes, supressores de apetite, entre outros. Quero chamar a atenção para os cuidados físicos fundamentais, que se propõem a aumentar tanto a qualidade quanto a expectativa de vida.

O autoamor deve sim tocar o campo físico! Afinal, somos um corpo ou um espírito? Somos uma coisa só! Uma só consciência que se manifesta em diversas dimensões, da mais espiritual à corpórea. Até quando vamos nutrir a concepção cartesiana de que o corpo é separado da alma e sustentar as concepções medievais de que tudo que é da alçada do corpo é pecaminoso?

“Para que essa prisioneira (a alma) viva, se expanda e chegue mesmo a conceber as ilusões da liberdade, tem o corpo de estar são, disposto, forte.” – O evangelho segundo o espiritismo - cap. 17, item 11.

Por contraditório que pareça, nem sempre amar-se é agradável ou fácil. Autoamor não é fazer tudo o que se deseja, mas fazer o bem para você mesmo, ainda que isso custe esforço e sacrifício. Muitas vezes amar-se é se desagradar para conquistar um fim positivo.

A seguir, algumas dicas para o autoamor com seu corpo, que aprendi com uma filosofia baseada no Bushido, o código de honra e conduta dos samurais:

1 - Exercício físico adequado: não importa como, mexa-se. Nosso corpo foi feito para o movimento, não para a estase.

2 – Nutrição adequada: procure alimentar-se da forma mais saudável e natural possível. E não precisa se empanturrar sempre. Perceba seu corpo para aprender a parar quando se sentir saciado, sem se empanturrar. E tome bastante água.

3 – Sono adequado: Dormir o suficiente e dormir bem. De preferência sem o uso de benzodiazepínicos. Se isso é difícil para você, procure ajuda profissional. O sono é um pilar da saúde.

4 – Higiene apropriada e organização: O bom asseio e a organização repercutirão positivamente em todos os campos da sua vida individual e social.

5 – Atitude Positiva: Tudo começa na mente. Se você mantém uma postura negativa diante das mudanças que precisa fazer, você já perdeu. Otimismo higieniza a mente e promove a vida.

Como li em algum livro do Emmanuel, há muitos anos, a disciplina não é uma porta fechada, mas a chave para abrir e fechar a porta quando se quiser. Disciplina é liberdade. Disciplina é base para o autoamor. Ame seu corpo! Cuide-se! Se você não encontrar tempo e disposição para cuidar da saúde, será questão de tempo ser obrigado a encontrar tempo e disposição para cuidar da doença.


Gustavo Cury

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