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ERRO

 

POR QUE TEMEMOS O ERRO?

“– Eu? Eu? – gaguejou Fantini, desconcertado –, não me faça voltar ao passado, pelo amor de Deus!… Já cometi muitos erros, sofri muitos enganos…” [1]

É engraçado como essa palavra é tão presente em nossa vida e tão temida por todos nós!

 O Erro é um reflexo de nossas ações e escolhas. Mas, o que nos faz errar e por que tememos tanto o erro?

Erro

INTERIORIZEMO-NOS PARA DESCOBRIR

O problema é que para nós o erro é sinônimo de falha, de incompetência e uma parte de nós não o aceita por isso. Essa parte que é extremamente importante, mas que, neste patamar evolutivo que estamos, nos leva a agir com rigor exagerado, é o nosso orgulho que está tão ou mais exacerbado que a exigência que ele nos impõe.

Por que eu digo que o orgulho é extremamente importante? Porque ele faz parte de nós, porque nos foi dado por Deus como um fomentador para preservarmos o que achamos que é importante para nós, como uma fonte de autopreservação de nossos valores, e quando bem equilibrado nos impulsiona a posições e metas que sonhamos e lutamos para alcançar.

É o orgulho que nos traz a sensação de dever cumprido ao atingirmos um objetivo.

Mas se o orgulho é tão importante, por que nos leva a não aceitarmos os nossos erros?

Bem, primeiro, se não entendermos o que é erro, até acharemos que o nosso orgulho tem razão em querer extirpá-lo de nossas ações.

 Segundo o dicionário Michaelis, on line [2], erro é:​

“1 Ato ou efeito de errar; solecismo.

2 Apartamento do que é honesto, justo, sábio.

3 Crença ou juízo que está em desacordo com os fatos; engano, equívoco.

4 Ação inadequada, resultante de um juízo falso.

5 Desvio de uma regra de conduta estabelecida; desregramento.

 

6 Conceituação imprecisa de uma ideia ou interpretação falha de um assunto, de um tema; inexatidão.”

Tendo o conceito de erro mais clareado, podemos perceber que, das seis definições apresentadas, somente a última nos traz uma ideia de que errar não nos envergonharia tanto, porque compreendemos que erramos por estarmos fora de nossa zona de conhecimento.

Estudando

RESTA-NOS TER CORAGEM PARA ADMITIRMOS OS ERROS

“Repito que sempre encontrei na confissão de meus erros menores uma espécie de vacina moral contra erros maiores;” [3]

Para termos a coragem de admitir qualquer erro será necessário desmistificá-lo em nossas vivências. Por isso, trago para vocês a definição de equívoco [4]:

“1 Que tem mais de um significado e dá lugar a várias interpretações; ambíguo.

2 Que não se percebe com facilidade.

3 Que dá margem a julgamentos diferentes; duvidoso.

4 Que é objeto de suspeita.

sm1 Efeito de equivocar-se; engano, erro, lapso.

2 Interpretação com mais de um sentido; significado ambíguo.

3 Jogo de palavras que se assemelham no som, mas com significados diferentes.”

Comparando esses dois conceitos (erro e equívoco), percebemos que a sexta definição de erro traz em seu bojo o significado de “equívoco”, ambos, em nossa língua portuguesa considerados sinônimos.

Agora, sigam o meu raciocínio:

Estamos cursando o quinto ano na escola da vida e o professor começa a nos explicar determinada matéria. Após as primeiras explicações, nos passa exercícios para nos aprimoramos e apreendermos melhor a lição.

Repasso algumas perguntas e reflitam antes de lerem as respostas:

  • Gostamos de fazer dever, seja na sala de aula, seja em casa?Normalmente, não.
  • Será que conseguiremos acertar todos os dilemas trazidos?Possivelmente, acertaremos alguns e teremos dúvidas em outros.
  •  O professor tem noção dessa nossa dificuldade?Claro que sim.
  • Será que este professor faz isso para tripudiar com os seus alunos?Não, ele faz isso para que os seus alunos comecem a perceber os detalhes e as diversas respostas que poderemos ter em uma única matéria, em uma única experiência da vida. Ele faz isso porque é o caminho mais didático para que os seus alunos aprendam.
  • E se o professor não repassasse qualquer exercício ou prova?Passaríamos o ano sem prestar atenção no que era importante e, sem a exigência do cumprimento da tarefa, nenhum exercício seria feito. Em decorrência disso, não nos colocaríamos humildes frente ao professor para questioná-lo sobre qualquer dúvida e jamais ficaríamos atentos para aprender com as suas sábias explicações.

Então, qual a lição que aprendemos com este exemplo? Que se nos compreendermos aprendizes diante das circunstâncias que necessitamos vivenciar, nos colocaremos sempre prontos para enfrentar momentos em que o equívoco fará parte de nossas respostas. E nos equivocaremos porque entenderemos que, se é uma experiência nova, muitos significados e interpretações poderemos dar e que não temos maturidade suficiente para encontrarmos o ponto crucial da questão com facilidade.

Por isso, usar da expressão “equívoco” ao invés de “erro”, não é trocar seis por meia dúzia! É nos darmos a chance para aceitar que quando nos equivocamos, estamos agindo assim porque ainda não compreendemos bem a lição que a vida nos trouxe, porque se ainda estamos cursando o quinto ano, não temos condições de saber toda a matéria do currículo desta etapa, mas a teremos aprendido quando tivermos condição de passar para o sexto ano.

Por ainda não termos uma noção exata de tudo aquilo que fazemos, podemos interpretar a experiência segundo o nosso conhecimento ainda não depurado, significando dizer que ainda precisaríamos adquirir novos conhecimentos para não mais cometermos erros.

Horizonte

MAS, ENTÃO IGNORARÍAMOS O ERRO?

“Seu casamento foi o que foi. Uma experiência. Cada qual tira de sua vivência o que pode de melhor. Erro só existe quando nada aprendemos com nossos erros.”[5]

Bem, se ambas as expressões são sinônimas, por que não podemos enxergar que, se me equivoco, eu erro e se erro sou alguém que está num esforço constante de aprender sempre mais, não admitindo a estagnação do meu Eu?

Olhando por este prisma, como posso me julgar e me condenar se o que faço está voltado para o meu melhor aprendizado?

Penso que, diante desta nova realidade, quando me perceber no erro pela minha falta de entendimento, devo compreender que a vida está querendo que eu passe de ano e, para isso, está me trazendo os exercícios e as atividades avaliativas que me mostrarão que eu sou capaz de aprender.

Esta é a prova de que o Professor nos conhece e sabe que já estamos aptos para ser testados em nosso aprendizado.

Nosso erro está em, tendo medo, deixarmos que o nosso orgulho nos impeça de querer aprender com os nossos erros, pois são eles que fixam os nossos aprendizados, são eles que nos freiam dando-nos a oportunidade de nos analisar e adotar novas posturas para não termos de cursar o mesmo ano escolar de novo.

Nossos erros são nossos bons professores que nos dão carga de conhecimento para continuarmos a trilhar com mais segurança as novas etapas da Escola da Vida.

Adriana Machado

[1]E a vida continua…, cap. 3 – André Luiz / Chico Xavier – Editora FEB.[2] http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=erro[3] Ibidem .[4] http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=equ%C3%ADvoco [5] Quem sabe pode muito, quem ama pode mais, cap. 8 – pelo espírito José Mario, psicografado por Wanderley Oliveira – Editora Dufaux.

Sorrindo

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