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Não amole tanto Deus

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Sempre pensei que Deus não gosta de muita amolação e louvaminhas. Por detrás de muita bajulação há sempre interesses escusos. Penso que o Criador nos soltou neste vale de bênçãos – o planeta Terra – para desenvolvermos o amor em nós, e também a musculatura da alma.

A Terra é isso mesmo, uma academia da alma, um lugar onde reencarnamos para desenvolver talentos, sensibilidade, sabedoria e amor.

Ficarmos amolando Deus toda hora, com pedidos e rogativas, realmente é desnecessário. Jesus, seu Emissário Divino entre nós, já nos alertou que antes mesmo de pedirmos qualquer coisa ao Pai celestial, Ele já sabe do que necessitamos...

Não proponho, evidentemente, abandonarmos o hábito da oração. Oro toda manhã e também à noite. E em algumas ocasiões específicas quando realmente há necessidade... A oração é nosso link com o Amor Divino e a espiritualidade amiga. Apenas desejo comentar que não podemos transferir responsabilidades, substituir ações por orações, autonomia espiritual por dependência.

O Pai, certamente, nos quer independentes, determinados, seguros, embora humildes e amorosos. Verdadeiramente não podemos fugir do nosso dever de escolher, decidir e fazer. O livre-arbítrio, conjugado com a responsabilidade, é algo que estamos desenvolvendo a duras penas ao longo dos milênios, por meio de múltiplas reencarnações.

Certa feita, li um lindo texto do grande filósofo e escritor brasileiro Rubem Alves que dizia algo profundamente belo, como tudo que ele sempre escreveu. Rubem dizia que Deus é semelhante a um pai que leva seu filhinho a um parque e quer vê-lo feliz, pulando e sorrindo... leve e solto. Claro que todo parque apresenta também perigos e riscos, isso implica vigilância e atenção, mas Deus não senta em um banquinho e somente fica feliz se o filho estiver assentado ao seu lado observando estático a beleza do parque, Ele quer o filho brincando, se divertindo... com cuidado e responsabilidade, é claro!

Mesmo quando estamos brincando sozinho, em um balanço distante em algum cantinho do grande parque da vida, Deus está feliz com nossa felicidade, sem qualquer sentimento de posse e aprisionamento. Apenas acompanhando a distância com seu olhar compassivo, bondoso, e um sorriso gostoso de satisfação.

Não amolemos tanto o Pai celestial com nossas lamúrias. Façamos a vontade dEle, isso sim, e estaremos cumprindo a nossa missão onde quer que estejamos. Fazer a vontade de Deus é viver o amor, a justiça, a humildade e o serviço ao próximo. É trabalhar para tornar o mundo melhor, mais belo e feliz. É isso que Ele deseja de nós.

Como sabiamente dizia a santa de Calcutá, “mais valem as mãos que ajudam e realizam que os lábios que oram”.

Rossano Sobrinho
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