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Pedir, buscar e bater

pedir buscar e bater

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á.[1]

Jesus


Cada um de nós possui um tempo certo. E não é possível caminharmos além da velocidade que este tempo nos permite. A velocidade com a qual podemos avançar na vida é diretamente proporcional ao aprendizado que alcançamos, em consequência das experiências que vivemos e, ainda, concernentes às nossas capacidades e necessidades evolutivas.

O caminho é sempre particular, singular. Se pedirmos ajuda do alto, com certeza receberemos, mas é preciso pedir com amor, buscar com inteligência e bater com atitude. Deus adora esse caminho. Assim fala o Preto-Velho.[2]


Mas de que tempo estamos falando?

Há um momento em nossa vida que, se não aprendermos pelo amor, aprenderemos pela dor, dizem os irmãos maiores. E isso é uma consequência inexorável de nosso descuido com as leis cósmicas que nos regem e que são estabelecidas pelo Criador. Também é uma providência de nossos mentores espirituais e um ato de misericórdia e de amor divinos, em relação aos filhos rebeldes.


Por isso é necessário pedir com amor

A vida é cheia de oportunidades, chamados, chances, revezes, imprevistos, mudanças, reviravoltas, ganhos e perdas. Podemos chamar isso do jeito que quisermos, mas nenhuma ocorrência estará em desalinho com a Lei de Causa e Efeito.

E outra Lei, a da Abundância, também rege tudo no universo e nada está em desacordo com ela, pois Nosso Pai Celestial disponibiliza todos os recursos necessários aos seus filhos, de forma igualitária, sem conceder privilégios a ninguém.


Mas é preciso buscar com inteligência

Para percebermos isso, é preciso compreendermos a vida em nossa realidade como espíritos, filhos de um único Pai. E ainda, olharmos para dentro de nós, reconhecendo-nos e aceitando-nos como espíritos potencialmente perfectíveis, existindo em vidas sucessivas e tão eternos quanto o nosso Pai. O que somos e o que temos, hoje ou em dado momento evolutivo, são a resultante de nossas escolhas na presente vida, ou nas anteriores.


Vamos fazer o tempo pelo amor e não pela dor

Este tempo, para cada um de nós, é quando começamos a entender que temos de fazer a quota que nos cabe no âmbito do bem, entendida como benevolência, caridade, indulgência e perdão das ofensas, a fim de nos reconciliarmos com a nossa história e com o universo, para seguirmos adiante.


E assim batemos na porta com atitude

Atitude renovada diante da vida é quando agimos em tempo, fazendo com que ele corra a nosso favor. Assim as perspectivas começam a mudar, e mudam para melhor. A partir daí, vale dedicação e perseverança nesse trabalho.


E como nos dedicarmos?

Vamos olhar para dentro de nós, aceitarmo-nos como somos e como estamos. Mas é preciso perceber que para mudar nossa vida, temos de querer mudá-la.

Querer não é poder?

Toda mudança carece antes de uma intenção, uma ação interna que é fruto da união entre a razão e a emoção, bem pesadas e equilibradas na balança do bom senso.

E como já foi dito em meu último texto no blog, nós precisamos saber o que queremos da vida, agradar aos outros ou a nós mesmos. Para isso é necessário amarmo-nos profunda e intensamente, respeitando-nos, reconhecendo nossas fraquezas e a incapacidade de realizar e conseguir tudo o que queremos, pois há um tempo no universo e o tempo do outro, que fogem ao âmbito de nossas ações.

Tudo está inter-relacionado, em pensamento, em energia e em acontecimentos. Uma atitude nossa reflete na ordem ou no caos do universo. E para que possamos agir com retidão e sem comprometermos a harmonia do todo, é preciso serenidade para saber pedir, onde encontrar e poder realizar, tendo a assistência do Alto como vento norte para soprar a nosso favor, conforme nosso merecimento.


De onde vem essa serenidade?

Ela é fruto de autoaceitação, autoconhecimento, autorrespeito e humildade, pois reconhecendo nossos limites e a nossa capacidade de saber onde, quando e como agir em consonância com o Lei de Abundância do Universo, ela estará a nosso favor.

Compreender isso, é ambiente de paz interior que clareia nossa visão e abre os horizontes para a realização pessoal e profissional, conferindo-nos a medida certa para trabalhar e realizar, operar e conquistar, respeitando e aceitando o tempo do próximo, alinhando-nos ao tempo do universo.


E como lidar com a ansiedade?

Ansiedade é não respeitar essas variáveis do tempo. Só temos como agir dentro da variável do tempo correspondente a nós mesmos, desde que estejamos atentos ao momento presente, vivendo o dia de hoje, sem criar expectativas exageradas em relação ao outro, aos resultados do trabalho e ao futuro.

E, principalmente, se olharmos para o passado tendo nossas vivências pregressas apenas como referências, não como grilhões, prisão que nos impede de aprender com elas. Aprendizado significa pôr em prática o que aprendemos, para não repetir os mesmos erros de outrora.

Conhecimento não vivido deteriora, mofa e aprisiona. Não somos criaturas programadas para a contemplação e para a inércia. O conhecimento, seja da ciência humana ou espiritual, só faz sentido se compartilhado. Acumular bens ou conhecimento é não alinhar com a Lei de Abundância do Universo, pois tudo flui e retorna para nós quando colocamos em prática o desapego. Nada nos pertence. Só possuímos aquilo que somos e aquilo que compartilhamos com o próximo. Esta é a nossa riqueza real.

Quando nos conscientizamos disso, reconhecemos nossa capacidade de criação dentro do universo do Criador e no nosso campo de atuação em todos os aspectos, em conformidade com as nossas competências e a nossa fé.

Assim, atingimos metas e realizamos, tendo paz com o que somos, o que temos ou o que obtemos às custas de nossos esforços sinceros, retos, inteligentes e investidos de amor.


E o que é o amor, nisso tudo?

Acredito que a melhor definição de amor, nesse contexto, seja:

Estarmos prontos para a vida!

Estaremos prontos quando conseguirmos perceber as necessidades de nossa essência real e lhe dermos ouvidos, pois se a oportunidade lá fora nos conclama, é porque há tempo.

Nosso pedido foi ouvido, buscamos e soubemos onde encontrar, batemos e a porta se abriu.

Fizemos o percurso para descobrir o melhor dentro de nós, e estava onde sempre esteve.

E não é que “o Reino de Deus – respondeu o Nazareno – não vem com aparato exterior; nem se pode dizer: ei-lo aqui! ei-lo acolá! O Reino de Deus e


Por Ricardo Gruppioni


[1] Mateus 7:7.

[2] Fala, Preto-Velho, de Pai João de Angola, psicografia de Wanderley de Oliveira – Editora Dufaux.

Ricardo Gruppioni
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