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Presentes e sorrisos

Presentes e sorrisos

Um dia desses, ouvindo uma belíssima e inspirada canção, um trecho dela me chamou a atenção, e também tocou minha alma, despertando a necessidade de expressar o que ela me dizia:

“A gente não pode ter tudo. Qual seria a graça do mundo se fosse assim? Por isso, eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim". [1]

Imagino que todos a conheçam, pois fez bastante sucesso e ainda faz. Um colar de pérolas de letras e de sentimentos profundos, verdadeiros e com os quais todos nós podemos nos identificar.

E nestes dias de recolhimento e de isolamento social que nos foi imposto, por circunstâncias acima de nossas forças, de modo que possamos preservar a nossa saúde coletiva e o bem-estar de nossa sociedade, essas palavras se revestem de um significado que vale a pena buscar, sentir e viver.


O que realmente queremos em nossas vidas?

Buscamos estar de bem com o mundo ou com nós mesmos?

O que é mais importante, então, ser quem somos ou atender às expectativas daqueles a quem amamos?

Esse trecho da letra desta canção nos fala que o melhor da vida são os sorrisos e os presentes que a própria vida traz para perto de nós.

E como conseguir isso se não podemos ter tudo?

Sim, mas podemos ser felizes com o que temos e o que somos, desde que aceitemos a nossa peculiaridade, que nos faz diferentes da maioria, entendendo-a como nossa força e nossa virtude. Dar expressão a ela, viver nossos desejos, mas não nos permitirmos ser reféns das nossas emoções, uma vez que não somos nossas emoções, apenas necessitamos delas para reagir ao mundo e nos afirmarmos como uma pessoa perante ele, pois emoção é sentimento em movimento.  E expressa e revela nossa individualidade.

Quando estamos bem resolvidos com os nossos desejos, vivendo-os sem comprometer o próximo, vamos conquistando sorrisos na pessoa mais importante do mundo para nós:

Nós mesmos!

Posso me alegrar?

Este estado de aceitação íntima é porta aberta para a felicidade. Esta oportunidade que todos nós estamos tendo, de permanecer em nossos lares, imposta, sim, mas necessária, pode nos levar ao tédio? Talvez! Mas quem está consigo, de verdade, nunca está só, pois Deus está com cada um de nós. E a presença dele nos preenche, nos alegra, nos sustenta e nos alimenta.


Já está passando da hora de compreendermos, como caminhantes e aprendizes na escola do universo, que somos seres Divinos por excelência. Que cada um de nós possui um cabedal de recursos e talentos que precisa ser revelado, vivido e compartilhado. Temos conhecimento, amadurecimento e entendimento da vida o suficiente para passarmos por qualquer período de adversidade e revezes com serenidade. Maturidade se sustenta em aceitação e flexibilidade.

E poder compartilhar o melhor que já somos e o bem que pudermos realizar com ele é a fraternidade ensinada pelo Cristo. Que cada um dê ao outro esse bem. Os presentes que recebemos são os que a vida nos traz. Quanto mais se dá, mais se recebe. Sempre colheremos o bem que semearmos. É uma sensação de dever cumprido, gratidão e alegria de poder contribuir e retornar ao universo o que recebemos de bom e de bem d’Aquele que tudo provê.

Esse é o chamado, a hora de darmos o testemunho do que queremos para nós, para o nosso próximo e para o nosso planeta.


Nossos presentes

Ao nos recolhermos em nosso lar e dar uma olhada ao nosso redor, com um olhar mais humilde e de aceitação, poderemos perceber todos os presentes que a vida nos trouxe.

Começando pelo básico, temos um lar, uma oportunidade de repouso, temos alimento. Temos alguém que nos conforta, nos aguarda, nos espera e nos dá afeto, mesmo que às vezes, ou nesse momento, esteja distante. Amor verdadeiro resiste e supera qualquer distância.

Temos conhecimento, temos fé, temos esperança. Temos confiança na vida futura. Temos a certeza que tudo passa e tudo passará e será para melhor.

Por isso o mais importante na vida é conservar a alegria, pois ela suaviza nossos passos, alegra nosso irmão e preenche nosso coração de energia positiva.

Há ainda aqueles que se deixam abater pelo medo da doença, pelo pânico e pelo desespero.  É preciso aqui lembrar das palavras de Jesus a Pedro, quando ele se deixou abater quando o Mestre o convidou a caminhar sobre as águas turbulentas:

“E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?" [2]

O tamanho da fé

Estamos passando por um grande momento em nossa história como espíritos imortais, em que o próprio Jesus está estendendo a mão a cada Pedro que vive dentro de cada um de nós.

Neste momento de tribulação é a hora de darmos o testemunho de nossa fé, manter nosso olhar nos olhos afáveis e amorosos de Jesus. Confiar e seguir adiante.

A fala d’Ele é bem assertiva, não sejamos homens de pouca fé! Basta que ela seja do tamanho de um grão de mostarda. Que cada ser humano tenha fé em si mesmo, isso já é o bastante, respeitando-se, aceitando-se como é, perdoando a si mesmo, seus desacertos, sua incapacidade de acertar sempre, mas de tentar a cada nova oportunidade fazer melhor. Essa é a porta do caminho do Reino de Deus que se encontra dentro de nós, num recanto da nossa alma que todos nós temos e que se chama força de vontade.

É querer e agir, dar o primeiro passo e seguir, apesar dos tropeços.

Jesus perto de nós

Não estaremos sós, pois Ele disse um dia que voltaria. Pois digo que Ele já voltou. Onde O encontramos? Vamos lembrar, pois a letra da música Trem-bala nos mostra:

  • “É saber que alguém zela por ti” e você zela por alguém. Não disse Ele que seríamos reconhecidos por muito nos amarmos?
  • “É sentir-se infinito”, pois todos somos um e cada um de nós é um com o Cristo e com o Pai Celestial. Nosso cristo interno começa a abrir os braços para o Cristo Cósmico.
  • “É ser abrigo e ter morada em outros corações”. Isso é ser fraterno, estender a mão e dar a verdadeira caridade do afeto, do acolhimento e da palavra. A caridade é Jesus agindo através de cada um de nós.
  • O dinheiro tudo pode comprar, mas somente os sorrisos acesos nos olhares alheios ilumina a nossa alma de paz, conforto e gratidão. Isso é Jesus pertinho.
  • E apenas mais um exemplo, pois poderíamos fazer uma lista interminável. É preciso abraçar as pessoas que amamos enquanto podemos e não perdermos essa oportunidade, pois, por ironia, estamos vivendo hoje esse dia de querermos abraçar e não poder.


Mas que isso não nos deixe tristes. Vamos aguardar a hora do reencontro, e vamos pensar, como é bom acender um sorriso nos olhos de quem amamos. A certeza desse momento que virá é a esperança que nos preenche. É o testemunho da nossa fé para continuarmos a caminhar sobre águas turbulentas e poder abraçar ao Cristo que nos aguarda nos braços de nosso irmão.

Um grande abraço a todos!

O Deus em mim saúda o Deus que habita em você.

“Namastê”!


Ricardo Gruppioni

[1] Trem-bala de autoria de Ana Vilela.
[2] Mateus; 14:31
Ricardo Gruppioni
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