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Diferenças Não São Defeitos

ESCRITO POR Marco Aurélio Ricaldoni Miranda

A Questão

Conversando outro dia com amigos, uma pessoa colocou o tema Fidelidade Conjugal – Orientação Sexual em pauta, para que eu desse minha opinião, já sabendo que sou espírita.

Dizia ele que sabia de um caso em que um homem casado vinha traindo a mulher com um homem. Perguntou-me o que eu achava sobre a situação desse homem levar uma vida dupla e não assumir sua sexualidade publicamente.

Primeiro eu perguntei ao amigo o que entendia por vida dupla. Ele respondeu que era o fato do sujeito ser casado com uma mulher e trai-la com um homem.

Então Vamos Por Etapas

Quando alguém trai, a questão não é com quem. Talvez isso seja de importância secundária. A questão é a traição. Isso é que deveria deixa-lo indignado em primeiro plano.

Quando existe traição, uma coisa é certa, teremos três pessoas infelizes:

  1. O que é traído, com certeza ficará infeliz quando descobrir; 
  2. O que trai não consegue ter paz na consciência, ainda que momentaneamente esteja inconsciente disto;
  3. E a terceira pessoa que apareceu aí, sabendo ou não que seu(a) parceiro(a) tem outra relação, fatalmente sofre porque um dia isso vem à tona.


O gênero destas três pessoas nenhuma importância tem. Até porque hoje existem casais de várias possibilidades. Então, melhor que o casal resolva entre si os problemas da relação, verifique seus sentimentos e chegue a uma conclusão. Havendo uma separação, será natural que cada um siga sua vida e possa ter uma outra relação.

Assim deveria ser, mas sabemos que, na prática, a história é diferente na maioria das vezes. Há ainda o aspecto cultural, que “admite” que o homem traia, mas a mulher não. E a história, em todos os tempos, registra traições diversas, tanto de maridos, como de esposas. Trair um amor, uma amizade, um parceiro de trabalho, um colega de classe, entre tantas outras traições, sempre é um ato desleal. esse é um longo assunto.


Um Assunto à Parte

Quanto a assumir publicamente sua orientação sexual, bem, cabe aí também uma longa reflexão.

Imaginemos quatro pessoas, cada uma com a seguinte característica:

1.Um obeso;


2.Um negro;


3.Um feio (entenda-se por questões genéticas, doenças, acidente, enfim, algo que possa ter deixado a pessoa com a aparência desagradável);


4.Um homossexual​;

Sabemos dos sofrimentos pelos quais essas pessoas passam, seja através de piadas, dos empregos que não conseguem mesmo tendo o currículo melhor, das humilhações praticadas por pessoas preconceituosas, o bullying e muito mais.

São situações extremamente desagradáveis, constrangedoras de serem vividas. O negro, o feio e o gordo não tem como não se expor e serem percebidos como tal.

Há ainda o agravante de, no caso de negros e homossexuais, a violência física, muitas vezes chegando ao homicídio.

Por que, então, sabendo de tudo isso o homossexual irá se expor? Se a pessoa homossexual tem a opção de manter-se no anonimato, para preservar sua vida, por que não?

Sei que outras tantas questões estão envolvidas aí, uma vez que assumir não é assim tão simples. Mas se por enquanto não é possível se revelar para o mundo, ao menos para si mesmo, já é um bom começo. Melhor vive aquele que é o que de fato é.

Julgamento

Mas não nos cabe julgar quem quer que seja. Diferenças não são defeitos. Só são diferenças. Cada qual vivendo sua vida como ela é, sabendo o que convém ou não.

Portanto meus amigos, sejamos indulgentes para com o outro:

  • Se não é possível ajudar, fica de fora; 
  • Se não vai acrescentar, não dê palpite;
  • Se não conhece o assunto, vá se instruir.


Para a geração anos 1960/70 , tudo era mais difícil, complicado mesmo, o preconceito era muito pior.

Hoje vivemos dias mais tolerantes. Ainda falta muito para chegarmos lá. Mas é fato que muita coisa mudou e melhorou.

Para o feio, as vezes uma plástica resolve, corrige. Vejam o excelente filme "O Extraordinário".

O obeso pode fazer um regime, cirurgias diversas, reeducação alimentar (nem sempre resolve, e ser obeso é também questão genética). Isso ameniza e/ou resolve a questão .

Agora, ser negro não pode ser mudado. É e deveria ser tratado tão somente como uma questão de cor de pele.

Assim como ser homossexual, somente uma questão de orientação sexual.

A Humanidade precisa evoluir muito ainda, e irá, para que um dia nos tratemos como irmãos e de modo fraterno. Estamos caminhando para isso.

Portanto, como estamos em um Planeta Hospital-Escola, assim que estivermos curados de nós mesmos e aprendido a Lição, uma Vida repleta nos aguarda.


Grande Abraços meus Irmãos.

Marco Aurélio Ricaldoni Miranda

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