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ESPERANÇA É O ALIMENTO QUE VEM DE LONGE

Maria José da Costa


E ai turma!!! Tudo beleza? Talvez não, né? Mas independente disto, algo vai bem e como o tema desta semana é AUTOAMOR, vamos falar do que pode não estar bem para alcançar o que está.
Pensando assim, resolvi publicar aqui a apresentação que escrevi em 2012 para o livro DEPRESSÃO E AUTOCONHECIMENTO, COMO EXTRAIR PRECIOSAS LIÇÕES DESTA DOR de autoria do terapeuta holístico Wanderley Oliveira.
Hoje em dia, posso dizer que consegui construir a parcela de AUTOAMOR necessária para ter uma vida relativamente boa e produtiva. Isto porque absolutamente boa, num mundo em transição, não está muito fácil.
Mas para chegar até aqui, venho lidando com uma depressão persistente, por mais de 35 anos. Ela não me desabilitou para progredir, mas trouxe os desafios naturais a serem superados para conquistar o autoconhecimento e a consciência necessários pra surfar as ondas que surgem na vida em nossos tempos.
Penso que este texto, de alguma forma, pode despertar, nas pessoas que o lerem, a determinação de não fugirem das dificuldades, de buscar as soluções mesmo quando não as enxergam, de acreditar que Deus conduz as nossas vidas sempre para o bem.
Vamos lá:

“Esperança é o alimento que vem de longe"

“Esperança é o alimento que vem de longe
E, se os deixa ir em jejum para suas casas desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe. Marcos, 8:3


Ao receber o convite para traçar algumas linhas sobre este livro, minha primeira reação foi achar que não seria necessário, pois não teria o que dizer como editora da obra, uma vez que, ao revisá-la e publicá-la, a minha aceitação a respeito do conteúdo já estaria expressa. Foi, então, que o autor e um médico, amigo querido que me trata há 13 anos, me disseram quase a mesma coisa: ‘Fale como uma pessoa que tem a depressão e que já vem, há longo tempo, tentando extrair lições desta dor’.


Espero que a minha experiência com o trato desta doença possa servir de ajuda e estímulo a você, leitor. Na esperança de que você seja mais decidido e corajoso do que eu, e não perca as oportunidades que a vida lhe der para buscar a autocura.


Custei muito a aceitar a depressão. Na verdade, tratei por 14 anos de uma insônia crônica, por meio da homeopatia, sem jamais cogitar, muito menos aceitar, ter depressão. Sempre fui uma pessoa alegre, otimista e amorosa. Só que também era ansiosa, tinha um desejo intenso de fazer tudo muito certo, extremamente organizada e, consequentemente, achava que sempre tinha razão, e por isso me irritava com facilidade. Mas sempre por uma causa justa, acreditava.

Após fazer o baile de debutante (15 anos de tratamento) na homeopatia, recebi cartão vermelho e fui encaminhada para um psiquiatra. Imagina! Consultar um médico de doido! Logo euzinha, tão normal! Como assim? Não estava jogando pedra em ninguém (ainda). No entanto, minha insônia e os demais problemas emocionais estavam apertando muito os meus calos e não tive alternativa. Eu me rendi, por puro esgotamento, tanto de energia como de argumentos. Marquei a consulta, bem escondidinho da minha família e dos companheiros de Doutrina. Imagine se alguém descobre! Afinal, já era mãe de família, trabalhadora da Doutrina e coordenadora de várias atividades havia mais de 20 anos!


E lá fui eu, preparadíssima para convencer o médico, que Deus o guarde até hoje, de que não tinha depressão e nenhuma doença (principalmente da cabeça). Afinal, eu trabalhava, cuidava extremamente bem da casa e dos filhos, cumpria rigorosamente com minhas obrigações, passeava e participava de várias atividades. Tudo coisa de gente normal, tinha plena certeza.

 

Entrevista

Ao iniciar a entrevista, dentre tantas perguntas que o médico me fez, há uma que não esqueço. Ele me perguntou: ‘Como você cuida de sua casa?’ Quando ele fez esta pergunta, eu abri um sorriso e respondi toda orgulhosa: ‘Do maleiro do meu quarto ao gaveteiro da despensa, se o senhor pedir para eu achar qualquer coisa dentro de casa, daqui, por telefone, eu peço para a alguém pegar. Sei onde está cada coisa!’ Ah, como me fazia bem ter o cuidado (e o controle) de tudo!


Após uma consulta de quase uma hora e meia, onde tentei, de todas as maneiras, questionar a possibilidade de ter a doença, o médico me deu a sentença: ‘Você vai se tratar de depressão, pois apresenta alguns traços dela’ (mais tarde, percebi que tinha todos). E, caridosamente, ele disse: ‘Tome este remédio por um mês. Se você não sentir nenhuma melhora, volte aqui e me mostre que não tem depressão. Então vou concordar que você não tem nada, rasgo meu diploma e paro de clinicar’. Mediante este ultimato, engoli minha arrogância, peguei a receita, agradeci com um muxoxo e saí meio tristinha.


Aconteceu que, depois de exatos 21 dias de uso da medicação, eu melhorei demais. Passei a dormir melhor, meu nível de energia aumentou, minha ansiedade e angústia diminuíram e minha mente se asserenou. Ali começava, para mim, meu processo de autocura, que, diga-se de passagem, continua até hoje! Passei tão bem e fiquei tão feliz que, com o tempo, perdi o medo e a vergonha de estar me tratando de depressão. Passei a falar para a família e os amigos dos benefícios do tratamento e, no fim das contas, muitos insistiram em fazer uma visitinha ao doutor.


Continuo nesta empreitada com mais alegria e menos rebeldia, não só com o tratamento médico, mas com suporte psicoterápico e tratamento espiritual constante, e quando acho que já matei todos os leões que dizem que temos de matar numa vida, lá vem mais! Os desafios do crescimento não param e, quando damos mais um passo adiante, somos convidados a continuar na caminhada, enfrentando com coragem os processos do crescimento espiritual.

O apoio de familiares, amigos

Preciso abrir um parêntese, e bem grande, para agradecer e falar da importância do apoio familiar e dos amigos. São eles que nos ligam à vida nos momentos mais difíceis das crises − e como há momentos quase insuportáveis! E haja Deus para nos dar família e amigos!


Mesmo com tantas buscas, ao me deparar com esta obra, percebi, um tanto contrariada, que há muitos pontos para trabalhar em mim mesma. A forma como o autor aborda a depressão chama a atenção para um fator importantíssimo no processo de conscientização e autocura: a solução não está fora, e sim dentro de nós mesmos. Alerta-nos para realidades pessoais que nos convidam ao autoenfrentamento, tão desafiador, mas necessário.

 
Então, não desista! É necessário aceitar o convite sábio da enfermidade, pois só assim saberemos quem somos e do que realmente precisamos. Gastaremos um bom tempo (e sabe lá Deus quanto tempo a rebeldia vai nos fazer gastar) para chegarmos mais perto de nós mesmos. Uns irão mais rápido, outros mais devagar, mas cada um tem o seu tempo. Só não deixe o seu passar em vão. Vá à luta por sua melhora. Mesmo que capengando, não deixe de caminhar. Resista! Peça ajuda, ela nunca falta! Descubra seu ritmo, mas não pare. Mesmo que, às vezes, não consiga dar um passo adiante, aguarde, na expectativa de que os valores sublimes que Deus plantou em sua alma encontrem espaço para desabrochar logo ali, mais à frente.

O remédio: Esperança

Se alguém me perguntar qual a medicação mais eficaz para esta doença, eu afirmo sem medo de errar: ESPERANÇA! Foi ela que me trouxe até aqui e me dá forças para continuar.


É com ESPERANÇA que conseguiremos ficar de pé (mesmo que, de vez em quando, deitadinhos numa caminha irresistível) diante de crises, e que Deus as tenha, passageiras!


E a respeito da ESPERANÇA, divido com você uma orientação espiritual que recebi em 2008, na sede da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, aqui em Belo Horizonte, pelo espírito de dona Maria Modesto Cravo, em um momento de muito sofrimento.


Todos viemos de longe, minha filha. Famintos de esperança e estropiados. Cansados e aflitos. Viemos para a reencarnação abençoada, na busca de recuperar o esbanjamento dos bens celestes que outrora marcou nossa caminhada. Este é o momento da vitória, conquanto a sensação dilacerante de fracasso. Levante a cabeça e siga adiante. Tudo passa. Tenha esperança e resistência, porém, observe que resistência sem autoamor exaure.


Esperança é o alimento de quem vem de longe, e como nos diz o versículo de Jesus, Ele não nos deixará seguir em jejum. O alimento existe. Sempre existirá. Esperança é a energia que preenche o coração e faz-nos sentir que todos, sem exceção, somos Filhos de Deus, e, portanto dotados dos mais ricos recursos para superar todas as nossas provas e capazes de trilhar rumo à nossa libertação definitiva.’


Que Deus nos ampare e abençoe!”


Maria José da Costa