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Felicidade e Merecimento

Referenciando o título do capítulo 36 do Livro Para Sentir Deus de Ermance Dufaux, psicografia de Wanderley Oliveira, vamos falar hoje sobre felicidade e merecimento. Afinal todos nós queremos ser felizes.

E, sim, é possível fazer com que a felicidade faça parte de nossas vidas, neste planeta Terra, mesmo com todas as lutas e contratempos que encontramos pelo caminho.

A felicidade absoluta do espírito está, realmente, reservada aos mundos ditosos. Entretanto, cada um de nós encontra recursos, potencialidades, experiências afetivas e de variadas naturezas para realizar as metas que traçamos para nossas vidas.

E todas estão em concordância com nossa capacidade. Não faltam motivos e atitudes que nos trazem paz e consequentemente
bem-estar e alegria reais na alma.

Afinal, basta perseverar, pois quem assim o faz, será salvo¹.

[1] Mateus; 24:13 – “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.”.

FELICIDADE É MERECIMENTO INDIVIDUAL

Cada um de nós possui um roteiro de desafios pessoais conforme suas necessidades e de acordo com a lei de retorno. Assim nos fala o Cristo, em João 5:9², pois do macro ao microscópio universo, tudo obedece à colheita de semeadura prévia. 

Se queremos, e nos julgamos merecedores de sermos felizes, é preciso começar a rever nossas atitudes e falas, a fim de percebermos se realmente estamos sendo bons agricultores, escolhendo e semeando boas sementes, que virão a nos trazer paz e felicidade no futuro.

Mas sem falarmos só em vidas futuras, para que isso se reflita em nós o mais breve possível, devemos cuidar das causas atuais das nossas aflições.

Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Gálatas; 6;7

[2] “E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a, ressurreição da condenação”. — Jesus.


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O QUE PODEMOS FAZER ENTÃO?

Existem vários caminhos para construirmos a felicidade tão desejada. Vamos citar alguns, que já podemos começar a colocar em prática:

  1. A superação das culpas: Essa emoção é útil até um certo ponto, pois ela tem a importante função de nos mostrar os nossos erros, afim de que não os repitamos, nos levantemos das nossas quedas limpando a poeira dos desgostos.

    Ela passa ser tóxica³ quando resvalamos para o remorso, que gera a doença do não merecimento e da apatia e que drena toda a nossa vitalidade. Ao nos julgarmos pequenos ante a vida afastamos a energia da prosperidade.

    É preciso adotar a atitude do arrependimento, da conversão do caminho, como assevera Jesus quando se apresentou a João, o Batista[4], adentrando às águas do batismo. É uma bela metáfora. O arrependimento tem o efeito de um banho em nosso ser. Somente assim o Reino dos Céus encontra um ambiente limpo, o nosso mundo íntimo, amanhecendo ao sol da esperança que gera alegria legítima e duradoura na alma.
  2. O perdão incondicional: Está na oração do Pai Nosso[5] e o Mestre não nos ensinou este recurso apenas por se tratar de belas palavras ou de um belo ideal a ser atingido. 

    É um exercício necessário e altamente meritório para nos introduzir num universo de paz, pois ressalta um caráter divino, presente em cada filho de Deus, como herança e potencialidade. Esse recurso precisa ser vivido a fim de que alcancemos também o perdão das nossas ofensas, uma vez que está total e inteiramente vinculado à lei de retorno expressa pelo Cristo:

    “...embainha tua espada, pois quem com ferro fere, com ferro será ferido.”[6]

    ​Quem aprende a perdoar, recebe da vida perdão, compreensão e auxílio dos encarnados e dos desencarnados, a fim de superar as dores que o crescimento e a evolução determinam à criatura que almeja o mais, o belo e o bem. Esse é o amor que cobre a multidão dos nossos erros.*[​7] 
  3. O desapego aos bens e aos afetos: Afinal, tudo na vida é um empréstimo e provisionamento da Divina Providência. Ninguém nos pertence, todo mal passa.

    E tudo na vida também passa, inclusive situações favoráveis, que mudam por força das circunstâncias, dos imprevistos ou das renuncias que cada um precisa fazer.

    Apenas o bem conquistado, como virtudes, fica permanente no arquivo de nossas experiencias. 

    Ninguém pode fazer a felicidade do outro ou ser responsável por ela. 

    A felicidade é o resultado de uma escolha, é determinada pelo nosso modo de viver a vida e de nos posicionarmos ante tudo e a todos.

    Não somos vítimas de ninguém, a não ser de nós mesmos.
  4. A consciência tranquila: Fazer o bem, evitar a maledicência, mental e verbal, agir com respeito e tolerância frente ao irmão que caminha ao nosso lado, afinal não somos perfeitos, mas perfectíveis. Todos ainda erramos, tentando acertar. E é isso que nos faz dignos.

    Não temos controle sobre o que a vida e os outros nos trazem, a não ser sobre a forma como reagimos, falamos ou nos relacionamos, desde que estejamos atentos ao que estamos irradiando para o mundo. A nossa sombra sempre passa sobre alguém. É preciso estarmos atentos se ela não está obstruindo o sol da vida para o outro. Se estiver, precisamos rever nossas atitudes, para que, ao deitarmos à noite sobre nossos travesseiros, a cabeça não pese sobre nossos ombros.

  5. Amar o trabalho: O trabalho é movimento, é luz desfazendo as trevas da ignorância, promovendo o progresso da humanidade. Por mais humilde que seja, é expressão do Pai em nós. Ele trabalha e cria incessantemente, inclusive através de cada um de Seus filhos.

    E se somos d’Ele herdeiros à imagem e semelhança, amor ao trabalho é revelação da divindade em nós, pois o Pai é todo amor, todo luz e todo bondade. Ama tanto Sua obra e Seus filhos, que em cada filho Seu, colocou uma parte de Si, dando-lhe poder e recursos plenos de ser feliz
    .

[3] Capítulo 2 – Emoções tóxicas e obsessão – do livro, Fala Preto Velho, de Pai João de Angola, psicografia de Wanderley Oliveira, página 42, parágrafo cinco.
[4] Mateus; 4:17 – “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.”.
[5] “Perdoa as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”
[6] Mateus; 26:52.
[7] 1 Pedro; 4:8 – “Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.”.


Existem muitos outros percursos disponíveis, que poderíamos citar e elaborar para trilharmos e cuidarmos de nossa felicidade. Mas, por hora, o mais importante, e que podemos realizar, como “aprendizes de ser feliz”, é nos dedicarmos suave, fraternal e humildemente ao que já podemos realizar, sem nos exigir algo, uma atitude ou qualquer coisa que ainda não damos conta.

É preciso ter paciência com nossos passos e respeitarmos nossos limites. Ainda não somos capazes de ser tão bons como gostaríamos. O importante é continuar a seguir no caminho proposto de auto iluminação, aceitando que estamos sujeitos a tropeços e quedas, mas que também possuímos recursos para sermos felizes.


Ricardo Gruppioni