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MERECEMOS SER FELIZES

Adriana Machado

Hoje, me parece que a maior dificuldade que todos temos é acreditar que merecemos ser felizes. Buscamos isso o tempo inteiro, através de estímulos externos, mas já percebemos que tudo o que usamos para este fim não é suficiente para manter a felicidade.
Ainda não percebemos que o que nos impede de alcançarmos tal meta é não trabalharmos o nosso EU orgulhoso que tanto é alimentado, equivocadamente, por décadas a fio.
Tendo como base as minhas próprias convicções, bem como o livro MEREÇA SER FELIZ, da autora espiritual Ermance Dufaux, desafio vocês a me acompanharem neste tema e, quem sabe, terminarmos este artigo muito mais felizes.

Descubra mais sobre o livro: MEREÇA SER FELIZ


ESTÍMULOS INTERNOS NA BUSCA DA FELICIDADE

Todos já ouviram falar que “a felicidade não é deste mundo”.

Eu também acho que não, pelo menos não no sentido que é falado popularmente. Acredito que a felicidade é uma conquista nossa, íntima, a ser desfrutada em nosso mundo interior, irradiando-a para o exterior.

Ermance Dufaux, no livro acima citado, traz um conceito sobre felicidade que é fascinante:

“[...] felicidade é a conquista de valores inalienáveis e realização existencial [...] [1]

A autora não poderia ser mais precisa!

 Todos aqueles métodos externos que estamos utilizando para alcançarmos tal estado interior são inadequados e falíveis, porque não nos trazem o remédio eficaz que nos levaria ao estado de felicidade pretendido. Essas aquisições não se acumulam em nosso ser, não nos pertencem verdadeiramente e, mesmo que inconscientemente, sabemos que não poderemos levar nada conosco quando daqui partirmos.

ORGULHO X MERECIMENTO

Diante de nossos insucessos, caímos no equívoco de acreditar que não somos merecedores da felicidade e, em virtude desta constatação, cedemos cada vez mais às tentações do mundo, numa ilusão de que, se seguirmos os valores desta sociedade superficial, ficaremos bem.

O ponto fundamental é o que nos move a agir desta forma. Quanto mais longe nos colocamos de nossa essência, mais distantes nos posicionamos em relação ao Pai e mais força daremos a um sentimento que é natural e necessário, o da aquisição dos recursos para vivermos. Mas ao hipervalorizá-lo, nos perdemos nos próprios efeitos de nosso orgulho adoecido.

Ermance Dufaux nos fala:

“Orgulho é o sentimento de superioridade pessoal resultante do processo natural de crescimento do espírito; um “subproduto” do instinto de conservação, um princípio que foi colocado no homem para o bem, porque sem o “sentimento de valor pessoal” e a “necessidade de estima” não encontraríamos motivação para existir e não formaríamos um autoconceito de dignidade pessoal. O problema não é o sentimento de orgulho, mas o descontrole de seus efeitos." [3] (Grifo meu.)

Acreditar-se sempre certo diante dos outros, mas inseguro interiormente é característica básica daquele que está acometido por um orgulho em desalinho.  Em razão disso, esta pessoa orgulhosa está sempre vestindo máscaras que são um reflexo daquilo que ela acha que é a personalidade e o comportamento mais adequados, mas que não são o reflexo de seu próprio ser. Ela quer adotar o seu personagem cheio de qualidades, dissimulando suas próprias imperfeições.

Mas, vivenciar uma mentira através da dissimulação é um preço muito alto a se pagar, porque podemos sustentar uma mentira por um tempo, mas não conseguiremos mantê-la na obscuridade por muito tempo. E isso se dá porque tal postura traz desconforto e dor a quem acredita que precisa mantê-la aos olhos dos outros, esquecendo que não consegue se enganar intimamente.

Quero trazer outra passagem do livro “Mereça ser feliz” que nos coloca muito claramente essa ideia:

“Nesse quadro de “teatralizar papéis”, em regime de condicionamento milenar, ocorre um leque de prejuízos para a organização mental da criatura, porque a mente implementa uma rotina de manutenção dessa “falsa personalidade” impedindo uma análise fiel da realidade profunda de si mesma (...).[4]

E continua mencionando que Allan Kardec, no estudo das obsessões, afirma:

“Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma.” O orgulho tem esse mecanismo de produzir uma ilusão da avaliação individual, transferindo o mal para os outros, onde é menos penoso verificá-lo...”[5] (Grifo meu.)
Um imenso esforço é exigido de nós para mantermos a falsa identidade que queremos espelhar, mas que não existe na nossa essência.

Ademais, chegamos em um momento planetário em que tudo converge para que tal postura, que nos traz enorme desgaste, nos tire de nossas zonas de conforto e nos leve a procurar respostas para os nossos mais íntimos questionamentos.

Não há mais tempo para duvidarmos de que, por termos nos afastado de nossa Fonte Criadora, nos perdemos pelo caminho das ambições desenfreadas, dos orgulhos exacerbados, nos perdemos no caminho da paz e, diante das verdades interiores que nos estão escancaradas, não nos achamos merecedores de vivenciar a felicidade que vem de tudo o que Deus significa.

ORGULHO X HUMILDADE

Para tanto, adotemos uma postura que já somos capazes de abraçar para quebrar o orgulho que alimentamos a séculos.

Sejamos humildes para percebermos as nossas tendências infelizes, para não nos envergonharmos de nossa pequenez frente a este grandioso Universo, pois somos alvos de todo o amor do Pai pelas Suas mais singelas criaturas.

Assim, passo a passo e gradativamente, nos depuraremos de todas as nossas aflições e nos sentiremos merecedores deste estado de felicidade que é a nossa herança divina.

E para não haver qualquer dúvida de que Deus nos deu caminhos para alcançarmos e sermos merecedores da felicidade, desde já e por nós mesmos, termino este artigo trazendo as palavras da autora Ermance Dufaux em sua obra aqui comentada:

“O orgulho é a “sombra do ego”, o sentimento que nos leva a sentirmo-nos maiores e melhores que todos. A humildade, seu oposto, é a luz que vem de dentro quando reconhecemos quem somos. Brota na alma como um estado afetivo ao conseguirmos romper com as camadas de falsidade e engano edificadas pelo egoísmo, e nos vermos enquanto Eu Divino.

Humildade é desilusão, reconhecimento de limites e qualidades, é conscientização.

Humildade é estar conectado com a essência da vida, a Verdade. Para isso é necessário a sintonia com a Verdade sobre nós mesmos, a realidade. É o estado de libertação das ilusões que nos permite enxergar com lucidez, sem vaidade ou desânimo.

Humildade é o estado de realidade que conquistamos na medida do autodescobrimento. Quem vibra no “espírito da humildade” recolhe sempre na vida o que tem valor real para seu crescimento, não agindo ao sabor das proclamadas mentiras mundanas, porque zelará por sua identidade universal sem deixar assediar-se por apelos inferiores. Quem estiver na humildade será alguém que conseguirá existir, sentir-se realizado, porque está buscando ser ele mesmo, e não ser o que os outros gostariam que fosse.

Portanto, humildade é a estrada de acesso para a felicidade.”

Adriana Machado

  1. Mereça ser feliz,  Prefácio, Wanderley Oliveira, Editora Dufaux.
  2. Ibidem.
  3. Mereça ser feliz, Capítulo 3, Wanderley Oliveira, Editora Dufaux.
  4. Ibidem.
  5. O livro dos médiuns – cap. 20 – item 228.
  6. Mereça ser feliz, Capítulo 35, pelo médium Wanderley Oliveira, Editora Dufaux.