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PERDENDO A INOCÊNCIA

- Mas Gustavo, não quero terminar esse relacionamento, pois isso vai magoa-lo.

- Você prefere manter o relacionamento, então?

- Não! De jeito nenhum! Não o vejo mais como o homem que eu achava que ele era e acho que já tentei de tudo que podia para resgatar esse namoro. Não confio mais que continuar tentando será bom e, honestamente, eu nem quero mais tentar. Quero viver minha vida!

- Você prefere romper o relacionamento, então?          

- Ai meu Deus do céu! Estou tão confusa!

- Confusa?  – é nesse tipo de situação que minha risada terapêutica normalmente não se - contém – Você não me parece confusa! Pelo contrário, me parece bem decidida. Só demostra não querer fazer o necessário. 

- Tenho medo dele ficar muito mal!

- Não nego que pode haver amor nessa sua preocupação, mas será que é só isso mesmo?

- Como assim?

- O que será maior, a sua preocupação com ele ou como ele ou outra pessoa vão olhar para você a partir do seu movimento? Minha questão é: até que ponto você não quer vê-lo mal e até que ponto você não quer sentir-se de consciência pesada a ponto de evitar isso a qualquer custo?

- Mas eu sei que ele vai ficar mal se terminarmos!

- E ele ficaria bem num relacionamento com uma pessoa que não quer estar com ele?

- Nossa, você fala de um jeito que parece que de qualquer jeito está ruim.

- Bom, é o que costuma acontecer quando estamos fora do lugar. Você está no lugar de namorada sem querer estar, e ao mesmo tempo sem ver motivo para investir no relacionamento. De fato, está longe de ser uma situação confortável.

- É muito difícil - ela disse emocionada.

- Sim! Mas não é confuso. A notícia boa é que somente a partir desse desconforto é que normalmente nos movimentamos em situações em que já sabemos o que deve ser feito e simplesmente não fazemos. Confio que demos um passo importante.


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VISÃO INTERNA OU EXTERNA

Muitas vezes as pessoas vão às últimas consequências para se manterem no lugar de vítimas ou inocentes. É uma espécie de conforto mórbido, em que se submetem a circunstâncias que não fazem bem a elas mesmas e nem a quem está envolvido na trama.

Ou, a partir de um desapontamento que provocam, punem-se e martirizam-se num movimento pseudo-compensatório como se isso fosse gerar algum benefício. Muitos preferem até mesmo a morte a serem vistos como egoístas, vaidosos, orgulhosos, mesquinhos, etc.


HONESTIDADE EMOCIONAL

O preço dessa desonestidade emocional costuma ser muito alto, e totalmente incoerente com a condição humana da falibilidade e coerência.

Tal como na situação descrita acima, o ego fantasia sobre uma suposta bondade de não magoar, ou não fazer qualquer mal a outrem, sendo que o efeito prático dessa postura costuma ser um arrastar indefinido de situações que seriam resolvidas caso o indivíduo ousasse romper com seu lugar de inocente e assumisse a posição de culpado.

Se essa jovem dissesse a si mesma a verdade: "não gosto dele e não quero me sentir mal comigo mesma fazendo algo que desagrada o outro”, provavelmente sentiria algum nível de consciência pesada, mas certamente estaria melhor conectada com sua verdade pessoal e por consequência, mais saudável.


A CULPA

A culpa tem sim uma aplicação funcional e é extremamente eficaz para a transformação, desde que bem utilizada. Para isso é necessário que o indivíduo assuma integral responsabilidade pela sua condição de culpado, rompa com a ilusão da bondade superficial da inocência e faça o que deve ser feito, mesmo quando não se é o desejado. E em caso de se perceber de fato como alguém que prejudicou outrem, assumir a dignidade de reparar e expiar, dentro dos limites do razoável, tal malefício. Esta postura sim é benéfica, em contraposição à de meramente se punir sem proveito com o propósito da manutenção do estado de inocência.


EXEMPLO QUE VEM DE LONGE

O apóstolo Pedro aprendeu tal lição a duras penas, como retrata o Evangelho e complementa a obra "Boa Nova", pelo espírito Irmão X  e psicografia de nosso muito bem amado e querido Chico Xavier. Disse Jesus no capitulo “A negação de Pedro”, que antes do fim o apóstolo descobriria que os homens são antes frágeis que perversos.

O texto diz de um Simão Pedro, ainda não desperto pelo galo que cantaria depois que o mesmo negasse Jesus por três vezes, que se preocupava muito em demonstrar para todos, sobretudo aos irmão de apostolado, o quão fiel ele era à Jesus.

Mas é o mesmo Mestre, conhecedor e compassivo com as fraquezas humanas, que olha com brandura para um novo Simão Pedro, consternado mas refeito pela experiência da infidelidade no momento em que negou Jesus. Esse Pedro sim, longe da prepotência infantil de se crer como um seguidor perfeito, que seria a pedra angular da continuidade dos trabalhos de Jesus.


CONSTRUÇÃO DO NOVO SER

A partir da experiência de se perceber fraco que talvez Pedro tenha aprendido a olhar com compaixão para a fraqueza humana, o que de fato o fez forte como uma rocha. A partir do ser culpado, abandonando a inocência com responsabilidade e não com auto-martírio, é que Pedro pôde crescer.

  • Diante de questões difíceis, procure questionar-se sobre seus propósitos:

  • O que me move?

  • Quero o bem mesmo ou quero parecer bem para alguém?

  • Será que a ajuda que ofereço é de fato ajuda?

Ajudar pode significar ser mal compreendido, ou mau visto. A ajuda genuína se mede pelos efeitos, não pelas intenções. E se você não tem a intenção de ajudar verdadeiramente, ou seja, pagando o preço que for por isso, possivelmente está pensando mais em si mesmo que no ajudado. E se for isso, ou qualquer outra coisa que te faça sentir-se culpado, tudo bem, desde que você assuma responsabilidade ao invés de estacionar na culpa, autopiedade, justificativas ou qualquer outra imaturidade.

Amar a si mesmo quando está tudo bem é fácil. Quando alguém elogia ou reconhece é mais gostoso ainda. Amar-se quando se está errado é que são elas. E consiste na alternativa para o crescimento real. Dar conta de si próprio mesmo estando errado, eis o desafio.

Gustavo Cury

¹Aproveitando o convite realizado pelo Gustavo de “Amar-se quando se está errado é que são elas. E consiste na alternativa para o crescimento real.”, podemos encontrar no livro “Um jovem obsessor A força do amor na redenção espiritual” um momento de autoencontro do obsessor Jeferson, que nos inspira muito:

“Daquela vez, porém, eu estava diferente. Eu me peguei pensando no poder dos da luz sem raiva, sem rancor, simplesmente me questionando como eles poderiam ser tão poderosos a ponto de nós, com todas as nossas artimanhas, com todo o nosso poder, não os vermos.

Mal sabia eu que, naquele instante, os mensageiros, que eu tanto desprezava, estavam junto de mim, emanando-me energias de amor, amparo e harmonia. Eles entendiam que o momento para a minha regeneração estava chegando, e que eu poderia continuar me abrindo para reflexões mais profundas sobre a minha vida, sobre as minhas últimas escolhas.

Parei em um parque, e algo me chamou a atenção: o sol estava se pondo. Fiquei ali por muitos minutos e me dei conta de que há muito tempo não percebia a existência do sol, com a sua luz e o seu calor. Permaneci ali sentado, sentindo os seus raios quentes minguando, dando lugar à noite. Quando esta chegou, eu me identifiquei. Sim, este era o estado em que eu vivia, frio e escuro. Não existia calor ou luz, somente a ausência de ambos.

Bem antes de começar aquela missão, eu já me via refletindo sobre mim, sobre as minhas ações! A imagem de minha avó estava sempre me acompanhando, me trazendo o seu calor maternal ao meu coração! Eu me recriminava e afastava tais pensamentos com rigor, mas eles voltavam vez por outra, sem o meu controle. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo e, como já disse antes, sendo muito honesto, nos últimos trabalhos para os quais fui designado, apesar de ter obtido sucesso em minhas missões, não me deleitei com as desgraças dos meus alvos como antes.”.

 Que tenhamos a coragem de olhar para dentro de nós mesmos com lucidez.

¹ Nota da editora.