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Quem não quer ser feliz?

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Você sabia que todas as nossas escolhas, tudo o que fazemos, cada atitude que tomamos, no fundo, o objetivo é o encontro da felicidade?

Mas vamos pensar: por que será que, mesmo buscando a felicidade, nem sempre a encontramos?

Os Espíritos Superiores, na Codificação Kardequiana, dizem que a destinação humana é viver uma felicidade plena e que todos fomos criados por Deus para ser felizes. [1] E Jesus já havia falado sobre isso quando falou do Reino de Deus [2].


Mas então, como encontrá-la?


UMA HISTÓRIA

No Réveillon de 2019, eu tive a oportunidade de passar bons momentos com alguns amigos e conversando com eles, alguns disseram:

— Nossa, mas esse ano foi duro! Foi um ano muito difícil! Graças a Deus acabou! Por que esse ano...

— Não foi difícil pra você, Rodrigo?

Fui direto e falei:

— Não. Pra mim foi muito bom!

— Sério?

— Sério!

Aí eu perguntei:

— Por que? Para você não aconteceu nada de bom neste ano?

E depois de alguns instantes em silêncio, começaram a enumerar várias coisas boas que haviam acontecido em diversas áreas da vida deles.

E despertando para o que eu havia falado ainda disseram:

— Na verdade, a gente não pode reclamar tanto da vida assim, não é?

— “Pelo menos não deveríamos” - pensei.

Porque hoje em dia as pessoas estão viciadas em reclamar e esse comportamento não é sem consequências.

É que quem age assim, acaba direcionando sua visão de vida para tudo aquilo que não tem dado certo ou que tem estado ruim, focando na infelicidade e, desse modo, se esquece de reconhecer e agradecer as coisas boas que têm acontecido, e isso gera infelicidade.


FOTOGRAFIAS PARA A FELICIDADE

Daniel Kahneman, um psicólogo Israelense que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2002, e que já foi indicado para o Prêmio Nobel de Medicina por suas pesquisas, estando em uma entrevista, foi perguntado pela repórter sobre a depressão.

E ela queria saber, por que é que, na atualidade, tantas pessoas têm estado deprimidas e outras tantas se suicidado. Por que isso tem acontecido?

Ele respondeu que era culpa dos smartphones e das câmeras digitais.

E a repórter sem entender, perguntou que ligação tinha uma coisa com a outra.

Ele explicou que depois do lançamento das câmeras digitais e dos smartphones, um dos principais usos é o da câmera, pois com elas   as pessoas fazem milhares de fotos.

Porque quando era com filme de rolo, era quase um evento tirar uma foto.

Você somente descobriria se a foto tinha ficado boa ou ruim depois que o filme havia sido revelado. E  as pessoas tiravam poucas fotos, porque era caro revelar.

Mas depois que as revelavam se reuniam para conversar sobre elas. Então, era esse evento que reunia a família e, com isso, criava-se a oportunidade de sentarem para conversar e lembrar do que havia acontecido. E aí, olhando as fotos, sabiam e se lembravam que tinham vivido momentos bons e felizes.

Mas hoje em dia não é assim que acontece.

As pessoas tiram milhares de fotos, olham na hora, postam nas redes sociais e se esquecem delas, e nunca mais as reveem.

Aí se esquecem das coisas boas que viveram e o foco, muitas vezes, fica no que foi ruim. Mas a questão é que isso é uma ilusão e um problema de memória e desta forma favorece o adoecimento e a depressão.

Empiricamente, quando se pergunta para as pessoas, a cada dia: — “Como foi seu dia?” — “Foi mais para bom ou para ruim?”.

Na grande maioria das vezes as pessoas dirão que foi bom.

E assim, Daniel Kanemam, para tratar seus pacientes com depressão, sugere que eles levem para o consultório um álbum com várias fotos de cada ano de vida. E depois falam sobre isso e se lembram de que viveram momentos felizes, passam a ter uma perspectiva diferente da vida e com isso muitos melhoram da depressão.


FELICIDADE SE COMPRA?

No mundo de hoje, em função do marketing e da propaganda, há uma estimulação muito grande para as compras.

E as pessoas muitas vezes entendem e associam que para ser felizes, têm  que comprar.

Um estudo foi realizado, com a participação de alguns voluntários, para ver as áreas cerebrais ativadas, após a compra de um carro novo, e verificar por quanto tempo essas áreas ficavam ativas na pessoa.

Os cientistas descobriram que se você comprar um carro novo, isso é capaz sim, de lhe trazer felicidade, porém ela durará apenas quinze dias, porque no décimo sexto dia você já terá se acostumado com o carro e ele se tornará uma coisa comum. Passará a ser apenas um carro.

É que todo estímulo novo tende a ser mais forte. Mas depois o cérebro se psico-adapta, ou seja, nosso cérebro se acostuma com tudo. Se acostuma com coisas ruins e com as coisas boas também.


ONDE ESTÁ A FELICIDADE?

Pense e responda:

— Qual é o oposto da felicidade? É a tristeza? É a infelicidade? Não, é a insatisfação!

É que a infelicidade pode ser somente um momento breve na vida, mas a pessoa que se habituou na insatisfação, para essa pessoa, muitas vezes, nada nunca está bom o suficiente e tudo sempre se torna motivo de queixas.

Mas e então, quer dizer que não dá para ser feliz por agora?

Tem um poeta santista, chamado Vicente de Carvalho, que tem uma poesia chamada Felicidade.

E em um trecho ele diz assim:

“A felicidade (...) existe sim: mas nós não a alcançamos

Porque está sempre apenas onde a pomos

E nunca a pomos onde nós estamos.”

Essa é uma grande verdade, porque todos sabem que a felicidade existe, sentem que ela é real e por isso a buscam.

Mas é importante aprender a colocar a felicidade em cada coisa que se escolha, fazer e buscar viver bem cada situação, estando presente e por inteiro onde se encontrar.


VIRTUDES PARA A FELICIDADE

O grau de felicidade ou de infelicidade está ligado diretamente às nossas conquistas evolutivas e Kardec estudou isso no livro O céu e o inferno [3].

Quanto mais depurados os espíritos, maior a capacidade de eles sentirem a felicidade.

E ao contrário, quanto mais imperfeições o espírito possua, maior será a sua cota de infelicidade.

Na vida prática vemos muitas pessoas que vivem assim: Não basta os sofrimentos que a vida apresenta, elas ainda têm a capacidade de aumentar as próprias dificuldades.

É que a maioria dos problemas da vida não seriam necessários de se viver se tivéssemos mais prudência, vigilância e disciplina nas escolhas e experiências da vida.

Assim, sofremos, muitas vezes, porque ainda não cultivamos em nós mesmos essas virtudes na vida.


CRENÇAS E FELICIDADE

E ainda para piorar, muitas pessoas mantêm crenças limitantes.

É que elas acreditam que se sofrerem muito irão evoluir mais.  E isso é uma espécie de romantização do sofrimento. Mas, na verdade, o crescimento espiritual não tem, necessariamente, ligação com o sofrimento.

Têm pessoas que pensam que se sofrerem muito na vida, quando desencarnarem serão muito felizes e chegarão luminosos no plano espiritual. Mas não é bem assim que acontece. É importante buscar motivos para sentir a felicidade agora, caso contrário, dificilmente a sentirá depois.

Por isso, tem tanta gente que quando chega no plano espiritual e vai analisar a própria vida, toma um choque.

Pede para voltar a viver as mesmas experiências, mas fazendo tudo diferente desta vez!

Assim, a felicidade e o sofrimento têm uma ligação com a forma como lidamos com as coisas.

Quando alguém sofre não é porque Deus quis. E quando alguém se sente feliz, também não é porque é um eleito de Deus.

Tem a ver com as escolhas, com o que cada pessoa faz da própria vida.

A Terra é um Planeta de Provas e Expiações. Assim, quem está encarnado no orbe, está passando por uma ou outra condição.

A expiação é um sofrimento obrigatório, em função do passado de equívocos repetidos que, se bem vivenciado, coloca a pessoa no ponto que estava antes da queda.

Mas as provas são propostas evolutivas que se bem vivenciadas, elevam e promovem a criatura.

São muitos os caminhos que levam à felicidade e são também particulares. Para cada um existe um caminho único, que deve ser descoberto por meio do autoconhecimento e, trabalhar as crenças que se têm, vai fazer muita diferença naquilo que se encontrará na vida.

FELICIDADE É SENTIMENTO

Felicidade é sentimento e sentimento a gente sente. Fisiologicamente existem áreas do cérebro que são ativadas e toda uma química de neurotransmissores e neuropeptídios é liberada no organismo para que possamos experimentar esse sentimento, organicamente.

O livro Voltei, de autoria espiritual de Irmão Jacob, psicografado por Chico Xavier, é a história de uma pessoa que trabalhou muito ao longo da vida na divulgação dos livros espíritas do próprio Chico, e participou de inúmeras reuniões mediúnicas. Trabalhou como um trator e com isso, ajudou muita gente. Tinha tanto mérito, que quando desencarnou quem veio recebê-lo foi Bezerra de Menezes.

Logo após o seu desencarne, ficou aguardando outros recém desencarnados para seguirem para uma colônia espiritual e, observando os amigos desencarnados, viu a luz deles e olhou para si e não viu luz nenhuma.

Quando chegou uma senhora, também recém desencarnada, radiante de luz, ele questionou se ela havia sido uma missionária nessa última existência. Seu companheiro espiritual disse que não, e explicou que ela fora apenas uma professora, mas uma professora que amava o que fazia, que ensinava com amor.

Então, foi o sentimento de amor que fez a diferença.

Pensando nesta experiência, pergunte a você mesmo: “O que estou fazendo na vida hoje, estou fazendo com amor?”.

O livro Voltei é a história de alguém que voltou para nos alertar, para nos despertar para essa realidade da felicidade após o desencarne.

Os contatos com as pessoas, as possibilidades de trabalho, de aprendizado, as situações, são recursos didáticos que a divindade se utiliza e nos oferece para o nosso crescimento.

Desta forma, fazer, realizar, é muito importante e proporciona o crescimento na horizontalidade da vida e pode até beneficiar muitas pessoas, mas fazer com amor é a possibilidade maior de crescimento na verticalidade da existência, de despertar a luz interior e sentir a felicidade.

O ideal é que façamos os dois. Que a gente cresça na horizontalidade da vida e na verticalidade do sentimento. E o espiritismo nos desperta para essa verdade desde agora, enquanto estamos encarnados.

Para que possamos aproveitar melhor a existência física e, com isso, despertar a consciência para a autorresponsabilidade perante a própria vida, e assim, desde agora, encontrar a felicidade.


[1] O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISTMO – Cap. XI – item. A fé e a caridade. Allan Kardec.
[2] O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. II – itens 1 e 2 e O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Pergunta 231. Allan Kardec.
[3] O CÉU E O INFERNO – 1ª Parte – Cap. VII – O código penal da vida futura 33º . Allan Kardec.

Rodrigo Ferretti é psicólogo e autor do livro Conecte-se a Você. Você pode adquirir o livro clicando no botão abaixo.

Rodrigo Ferretti
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